<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165</id><updated>2012-02-13T10:07:35.859-02:00</updated><title type='text'>contos afins, contos&amp;afins, contos enfim...</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>36</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-7177707482182737812</id><published>2012-02-13T10:07:00.002-02:00</published><updated>2012-02-13T10:07:17.000-02:00</updated><title type='text'>Filme ruim</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O derradeiro momento do infindável apresenta-se&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Regado a sonhos secos e presenças ausentes&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em ciclo de reprises constantes de programas cancelados&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Com comerciais que prometem gozo patrocinado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E papéis que nenhum ator representa mais fora da fantasia&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A apoteose não tem brilho, é insípida e anunciada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mostrando aquilo que não foram capazes de dirigir&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O olhar que devia seguir ao longo insistia em mover-se aolargo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Provando-se impossibilitado de ver o desejado &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A luz acende e mostra rostos plácidos onde cabia o drama&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas alijada de tudo a plateia insurge apática&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pois a recaída pelo clichê cancelou a pungência do fim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-7177707482182737812?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/7177707482182737812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=7177707482182737812' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/7177707482182737812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/7177707482182737812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2012/02/filme-ruim.html' title='Filme ruim'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-1577999985143960664</id><published>2012-01-26T09:00:00.001-02:00</published><updated>2012-01-26T09:02:20.851-02:00</updated><title type='text'>Incêndio.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 14px;"&gt;Aquele inferno parecia não ter fim, sujos de fuligem e sem ar agora para respirar.Ela retorna da fumaça e me diz: fugiram pela minha saída de emergência e fecharam a porta. Eu não conhecia nenhuma saída. Ela juntou-se a mim como se não houvesse antes fugido para seguir sua própria rota. Continuei meu próprio caminho. Ela seguia atrás mantendo distância, certamente esperando para seguir sozinha caso visse qualquer outra porta aberta. Se sair daqui mudo de cidade, ela disse. Uma porta trancada ali na frente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-1577999985143960664?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/1577999985143960664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=1577999985143960664' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/1577999985143960664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/1577999985143960664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2012/01/incendio.html' title='Incêndio.'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-4278137803025073875</id><published>2012-01-12T12:06:00.000-02:00</published><updated>2012-01-12T12:06:30.324-02:00</updated><title type='text'>Não ouço mais pensamento algum ao meu lado</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;Hoje é nosso aniversário. Encerro um pouco de culpa por não me sentir como deveria. E mais ainda por não compartilhar isso comigo. São agora 1460 ciclos. O momento do juramento chegou. Hora de tomar nossa posição na colmeia. Toda a preparação enfim será útil para o papel que nos aguarda. Devia me sentir especial por ter nascido comigo. Sobrevivido. Abençoado. Mas não consigo. Finalmente após tanto tempo um par emergiu da cuba gestacional, nós dois, vivos, idênticos. Todos são gerados em pares. Mas sempre só emerge um. E aguarda-se o tempo que for necessário para que um mesmo espírito tenha a força suficiente para encarnar em dois corpos idênticos. Para cuidar de todos os demais. Milhões de ciclos depois nós enfim surgimos para dar o merecido descanso ao nosso espírito regente. Hoje é o tão esperado dia em que ele será colocado na câmara para que seus átomos se desprendam e retornem para o universo. E nosso tempo começará. Exatamente nesse dia violo tão profundamente nossas regras, permanecendo aqui sozinho. Não é a primeira vez, mas certamente a última. Os delitos são relativamente tolerados enquanto somos aspirantes, mas inadmissíveis depois. Espera-se que com o tempo percebamos o quanto qualquer ato falho é indesejado, até que simplesmente nem mesmo tenhamos qualquer impulso de cometê-los. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ah, está aí? Sim, pensei que havia esquecido algo e quando percebi, a porta fechou-se atrás de você. Eu também não teria percebido se você houvesse esquecido algo? Certamente. Essa sua mania de gostar de passar alguns segundos sem mim. Não diga bobagens, acho que nosso espírito encarnou um pouco mais lento em mim. Certamente ele encarnou um pouco diferente. E não é justamente por isso que somos tão especiais? Exatamente, quando o espírito se divide e encarna em dois corpos, ele toma algumas características diferentes, ainda que mínimas, que nos propiciam ter o julgamento perfeito sobre as coisas. E por isso somos o que somos, e fique tranquilo, pois sabe que jamais acontecerá novamente. Claro, todos os olhos estarão voltados para nós, assim como a todo segundo vemos nosso espírito regente. Nesse momento mesmo o vejo. Estranho seria se não o visse. Eu sei. Teremos a existência que todos gostariam de ter. Eu sei. Feliz? Sim. Porque insiste em mentir para mim, mesmo sabendo que somos o mesmo? Não sei. As pessoas unidas são assim, sabia? Como? Às vezes elas sentem-se felizes e tristes ao mesmo tempo. Nunca me senti assim. Óbvio, porque no nosso caso, cada um sente uma coisa, não se lembra das aulas? Certamente você saberia se eu não lembrasse. Sei que se lembra. Sim, eu lembro. De todas elas? Claramente. Então sabe a sorte que temos por ambos continuarmos aqui, certo? Sim, eu sei: se algum de nós não sobrevivesse, mesmo passado tempo após o nascimento, o outro seria mandado para o círculo exterior. Por isso esperamos os 1460 ciclos. Para garantir que nosso espírito não se tornaria fraco por dividir-se. E garantimos, não é mesmo? Sim. Não precisaremos viver longe da cidadela nem inaugurar uma nova era de incertezas. Manteremos a unidade e a vida próspera de todos. De todos, não apenas a nossa, e nisso reside a beleza de nosso nascimento. É verdade, sinto-me muito feliz. Vejo que então consegui mudar seus sentimentos. Sinto-me feliz agora. Alegro-me, pois não gostaria que o seu momento se desse cercado de sentimentos ruins. Nosso momento. Seu momento. Não somos pessoas unidas. Nem nunca seremos. Você me confunde. Sei de tudo, esquece? Não entendo o rumo disso. Sei que não é aqui onde deseja ficar nem sou eu a pessoa que deseja estar ao seu lado pelo sempre. Você sou eu, como poderia isso? Somente porque somos um sei disso tudo. Mas que diferença faz? Toda. Sobrevivemos os 1460 ciclos, o que prova que nosso espírito é forte e não nos abandonará mais. Espero que sinceramente você viva a vida que deseja a partir daqui. Não diga bobagens, o que é isso em sua mão? Não sabe? Em que momento tomou posse disso sem que eu soubesse? Você sempre soube, assim como eu sempre soube como você desejava viver, e eu também desejei. Então por quê? Porque somente um pode, e escolhemos qual de nossa metade deve permanecer. Espere, abaixe isso agora! Não por nós, mas por você, viva! Não! Eu te liberto!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De repente não ouço mais pensamento algum ao meu lado. Preciso buscar outro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-4278137803025073875?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/4278137803025073875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=4278137803025073875' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/4278137803025073875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/4278137803025073875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2012/01/nao-ouco-mais-pensamento-algum-ao-meu.html' title='Não ouço mais pensamento algum ao meu lado'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-7314100714355669743</id><published>2011-05-16T09:56:00.000-03:00</published><updated>2011-05-16T09:56:33.347-03:00</updated><title type='text'>Tempestade</title><content type='html'>A tempestade veio e ele estava perfeitamente preparado para ela. De modo que assim que todo o inferno passou, abriu a porta e pode orgulhoso confirmar que toda a devastação não atingiu uma só telha da casa. Nem mesmo um arranhão na pintura de fora. Feliz, voltou para dentro, pois não precisava agora empregar nenhuma energia para reconstruir nada. Tudo permaneceu no lugar. Inclusive o quadro do seu bisavô, que pendia no&amp;nbsp;corredor da entrada. Parou alguns minutos olhando a relíquia de família, mas olhou tanto que não pode deixar de pensar:&amp;nbsp;é horroroso. Nunca prestou muita atenção naquele lugar de passagem. Foi passando por toda a casa e percebeu outras coisas que não gostava.&amp;nbsp;Quadros, cinzeiros, móveis, tapetes. Entendeu que teve um imenso trabalho para salvar tudo, mas que haviam coisas que não precisavam ser salvas. Ou mereciam. Olhou pela janela e viu outros reconstruindo belas casas que se tornariam ainda melhores do que eram. Então removeu todas as proteções que havia instalado. E sentou no banco em frente a casa. Esperando a próxima tempestade. Para dessa vez deixá-la agir. Pois agora ele pensa que não deve desviar o caminho da tempestade. Nem impedí-la de cumprir seu papel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-7314100714355669743?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/7314100714355669743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=7314100714355669743' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/7314100714355669743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/7314100714355669743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2011/05/tempestade.html' title='Tempestade'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-1904769570057851593</id><published>2011-04-18T09:26:00.003-03:00</published><updated>2011-04-18T09:40:39.864-03:00</updated><title type='text'>As faces de cima</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;O entardecer anoitece ensolarado deixando por ora para trás os dias enegrecidos abandonados pela face branca celeste. Um momento de deleite banhado no oceano amarelo pela face dourada maior revigorando o ânimo outrora falecido. Faz um bom tempo agora. Perfeito para sentar em uma cadeira com forte aroma de madeira antiga e estofado novo. Beber um líquido qualquer energizante para manter alto o espírito. Ou mesmo uma jarra inteira. Por um momento não mais esperar o cisma que pode vir. Ignorar o possível retorno da face branca. Abandonar o incessante racional por três minutos, doze segundos, e sete milésimos. E nesse breve momento desistir da fixação no indesejado e focar tão somente no que se quer. E lembrar-se de carregar as pilhas das lanternas para o próximo amanhecer. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-1904769570057851593?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/1904769570057851593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=1904769570057851593' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/1904769570057851593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/1904769570057851593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2011/04/as-faces-de-cima.html' title='As faces de cima'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-7865427632793033301</id><published>2011-03-31T21:07:00.001-03:00</published><updated>2011-03-31T21:10:52.054-03:00</updated><title type='text'>O necromante</title><content type='html'>&lt;a href="http://forestgrove.files.wordpress.com/2010/10/memento-mori-engraving-by-alexander-mair1605.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 379px; height: 500px;" src="http://forestgrove.files.wordpress.com/2010/10/memento-mori-engraving-by-alexander-mair1605.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Ankash olhava agora estupefato para a situação que ele provocou. A enorme sensação de fracasso tomava forte seu coração. Depois de tanto tempo? Tanto estudo? Contemplava a pilha de carne morta. A solução não se mostrava fácil, mas era bastante óbvia. O verdadeiro trabalho só havia começado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O jovem Ankash pertencia a uma poderosa linhagem de feiticeiros necromantes. A geração de seus pais revelou feiticeiros extremamente poderosos. E vaidosos! Seu futuro mostrava-se brilhante. Mas a arrogância do seu pai, Niktalesh, o fez se proclamar o feiticeiro mais poderoso do seu tempo. E a necromancia, a arte mais perfeita. Tais palavras espalharam-se por muitos reinos. Muitos não se preocuparam com elas, mantendo-se firmes em seus próprios estudos. Outros reconheceram sua própria impotência e permaneceram calados. Um homem resolveu dar uma lição ao bruxo arrogante. Um alquimista invadiu sua torre. O cão percebeu a entrada do intruso e tentou avisar do perigo. Mas o necromante nada fez até estar de frente com o inimigo, certo da vitória. Confiante que estava diante de seu controle sobre a matéria e as almas, vivas ou mortas, esqueceu-se de um ponto fundamental. Não podia ainda criar matéria alguma. E assim, Niktalesh foi liquidado pelo alquimista, que transformou ele e sua esposa em cristal. E também o cão, que sem sucesso latia, e assim permaneceu em cristal, mostrando dentes ferozes. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Ankash havia partido em peregrinação para coletar insumos importantes aos seus experimentos. Ele nada poderia ter feito para salvar seu pai de sua própria vaidade. Mas então, diante da imagem de sua família cristalizada, só ele poderia fazer algo por eles. Acontece que apesar de com seus poderes sentir claramente que suas almas permaneciam seladas naqueles esquifes em forma de corpos reluzentes, nenhum dos seus esforços ou rituais conseguiam alterar em nada a estrutura daquela matéria sem vida. Pensou a princípio que seria fácil como animar um golem, mas infelizmente nada conseguiu. Então Ankash fez um juramento solene que a partir dali não respiraria se não fosse para procurar uma salvação para sua família e que protegeria a todo custo seus corpos vitrificados, até poder retornar-lhes a carne.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Apesar de o jovem ser extremamente habilidoso, a jornada foi extremamente árdua. A falta de orientação o deixou por conta própria. Nenhum homem pela mais alta fortuna quis dar ajuda qualquer ao filho do Vaidoso. Mas desse momento de privação Ankash realmente pode perceber que seu destino era realmente superar as habilidades de seus pais. Ainda que demorados, seus sucessos eram notáveis. E aprofundando-se em diversas artes arcanas, suas respostas foram ficando mais próximas. E chegou o dia em que ele finalmente entendeu as ações do alquimista e como desfazê-la. E uma sensação de vitória incrível tomou conta do seu corpo. O prazer de ter superado os erros dos seus anteriores. Ter tornado-se maior e melhor q eles. Nesse momento Ankash quebrou sua promessa de cuidar daqueles que eram mais importantes para ele. Não correu para resgatá-los. Correu para proclamar seu feito e festejar. Divertiu-se, bebeu e festejou como nunca antes. E sentia-se feliz como nunca, pois percebia que agora todos o olhavam com admiração. Estava plenamente seguro de si e não via nenhuma importância na quebra dos seus votos, embriagado por aquela sensação maravilhosa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Completamente ébrio Ankash retornou a sua torre depois de alguns dias. Para seus pais de vidro era como se ele não houvesse se ausentado. Jamais poderiam ter percebido quanto tempo ele ficou fora, e o que fazia. Chegou a hora então de trazer todos de volta. Mas seus gestos estavam um tanto fora de controle. Desastrado, Ankash tropeçou em uma dobra no tapete ao aproximar-se da mãe, do pai e do cão. Caiu por cima deles, derrubando-os no chão e fragmentando-os em incontáveis pedaços. Nesse momento um certo apavoramento começou a tomar seu corpo. Mas não foi o suficiente para nublar os efeitos que a nuvem de prazer a que tinha se submetido desaparecesse por completo. Sem se dar conta exatamente do que acontecia tentou consertar tudo. Escolheu alguns pedaços de vidro, concentrou-se neles e improvisou alterando em alguns momentos seus cantos. Mas o efeito não foi o desejado. De repente o que se ouviu na sala foi um ganido de lamento tenebroso. E os pedaços de vidro tornaram-se pedaços de carne morta. Os pedaços que escolheu pertenciam ao cão. Mas ele não conseguiu juntá-los por encanto, de modo que eles se converteram de volta em carne fragmentados. A corrente da vida se rompeu e por mais que Ankash tentasse reencontrar o espírito do animal, não conseguia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;O feiticeiro percebeu então o quanto havia superado seu pai em poder, mas o quanto permanecia tão preso a ele em seus erros. E como a vaidade e arrogância ainda era forte dentro dele. E imaginou o alquimista sorrindo naquele momento. A solução era clara, mas extremamente difícil. Era preciso remontar seus pais como um quebra-cabeças. É verdade q ele podia reconhecer claramente qual pedaço pertencia a quem, tocando o pedaço de alma que aqueles cacos encerravam. Debruçou-se então naquela tarefa, difícil e desnecessária, se não houvesse sido tão tolo e egoísta. Imagine remontar ossos, músculos e órgãos, divididos em mil? Era trabalho para uma vida. Mas, envergonhado, Ankash não possuía outra opção.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Com determinação ele conseguiu completar a tarefa, ainda que quando finalizada já empatava ou mesmo avançava um pouco em idade com Niktalesh. Um olhar extremamente criterioso das esculturas remendadas revelava em cada uma um minúsculo ponto em que não reluziam. Uma falha. Mas Ankash havia vasculhado todo o salão e não havia nenhuma peça perdida. Então usou os encantamentos corretos e seus pais enfim retornaram à vida. É claro que suas almas estavam cansadas e confusas e precisaram de um tempo para reajustar-se à vida. E assim fizeram. Mas nunca se recordaram de Ankash. Reconheceram a verdade do que dizia, pois ele partilhou com eles parte de sua alma. Mas não a sentiam no fundo de seus corações. Ankash percebeu então que os pedaços que faltavam causaram aquilo, mas como ele nunca os achou só sobrava uma solução: criá-los do nada. E para isso precisava criar uma pedra filosofal, como aquela que o alquimista usou para remodelar seus pais. Ele tinha agora uma nova missão e novamente nada podia fazer a não ser cumpri-la. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Já podíamos perceber o efeito do tempo e do fracasso no semblante de Ankash, quando ele já era um ancião e seus estudos, apesar de sempre avançarem, nunca encontrarem um fim. E Niktalesh, tendo passado um tempo tentando compreender tudo, não viu nada a fazer a não ser retomar seus estudos arcanos. E sempre recorria aos escritos do filho. Certo dia Niktalesh percebeu o erro que circulava a teoria de Ankash e chegou à solução final para ter sucesso no processo de criação da pedra filosofal. Correu de encontro a ele, mas encontrou o ancião morto. Debruçado sobre seus pergaminhos. Niktalesh entristeceu-se, mas não havia nada a ser feito. Somente dar para Ankash um funeral com honras. Lavou o corpo do ancião e preparou-o para embalsamá-lo. Ao procurar os líquidos corretos, Niktalesh encontrou dois fragmentos de cristal junto a um frasco empoeirado no fundo da prateleira. Tocou um dos cristais e sentiu uma imensa saudade, lembrando-se de sua consorte já falecida. Ao tocar o segundo, ele desapareceu da palma de sua mão com uma fagulha. E lembrou-se de tudo. Niktalesh consternou-se. Agora entendia tudo o que Ankash passou. E lamentou ter passado para o seu filho todo o seu talento, mas também toda a sua fraqueza. Naquele momento interrompeu todo o processo do funeral. E sentou-se em sua mesa para criar a pedra. E obteve êxito. Agora podia criar a vida a partir do zero. Com suas habilidades reuniu a alma de Ankash e com a pedra criou um novo corpo, dando a ele uma segunda chance. O preço pago para a empresa foi o restante de vida de Niktalesh. Ele então sentou e fechou os olhos. Ankash abriu os olhos e novamente nasceu. Dessa vez, livre dos pecados do pai.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-7865427632793033301?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/7865427632793033301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=7865427632793033301' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/7865427632793033301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/7865427632793033301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2011/03/o-necromante.html' title='O necromante'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-3246876534540097548</id><published>2010-01-27T23:12:00.004-02:00</published><updated>2010-01-27T23:38:28.560-02:00</updated><title type='text'>Dois caminhos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_OvhuAQ7H8GQ/S2DqY0XxaSI/AAAAAAAAAJ4/3wQR9xjxG4Q/s1600-h/3730294949_faaa1a2e75_b.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_OvhuAQ7H8GQ/S2DqY0XxaSI/AAAAAAAAAJ4/3wQR9xjxG4Q/s320/3730294949_faaa1a2e75_b.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431598862704929058" /&gt;&lt;/a&gt;Ansioso, busco alguma coisa que me traga algum conforto nessa hora. Em algum momento da minha vida deixei passar o encanto por entorpecentes pelos olhos sem que nele mergulhasse. Isso hoje poderia fazer alguma diferença. O fato é que não possuo nenhuma substância à mão que possa me trazer algum alívio. Só me resta recorrer a alguma substância mental. Alguma coisa que possa me ajudar e esteja no fundo dos meus pensamentos. Mas o que poderia ser se sinto que muitos prazeres já me deixaram? Onde encontrar o gozo dentro de mim? Pergunta inútil. Pensamentos existencialistas de nada me servem agora e só fazem crescer a angústia. Essa sensação de aperto. De vazio. Uma contradição.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Álcool. Certamente algo alcoólico há em casa. Uma solução pouco original, mas eficiente. Levanto e sigo até a geladeira procurando alguma garrafa de vinho esquecida. Comprada em algum dia em que aguardava um momento para ser compartilhado e que não aconteceu. Mas que importa? Não sou mesmo apreciador de vinhos. Ou de bons momentos. Ainda que tal esperança insatisfeita agora possa me ser útil. Havia vinho. Agora bastava pensar em como usá-lo melhor. Saborear, beber de um trago. Como poderia desfrutar melhor de seus efeitos? Um lento pôr-do-sol seria mais belo que o rápido desaparecimento de uma lua eclipsada? Melhor pensar nisso depois da primeira taça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Caminhando pela casa percebo que o tempo já vai longe e felizmente havia duas garrafas. A opção espontânea foi por saborear mesmo que não tão demoradamente. De modo que cheguei ao dois desejoso que esse também fosse o número de infortúnios que me levaram a esse estado de desespero melancólico. Confuso. Os desalentos foram muitos. Acumulados ao longo de uma vida curta ainda. Não passei fome ou tive a casa derrubada por terremoto ou enchente. Isso agora podia me confortar. Mas existe a máxima de que os piores sofrimentos são os da alma. E é nisso que ébrio prefiro acreditar agora. Pois se perceber a futilidade do meu desprazer perante as agruras do mundo, posso me descobrir tão pequeno e desimportante como preferiria jamais perceber.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Não tive uma vida repleta de amores e aventuras como nesse momento eu preferia ter tido. Ao menos haveria um legado a deixar, coisas a lembrar. Dificilmente seria lembrado por coisas muito relevantes. Somente situações ordinárias. Se ao menos eu tivesse um segredo sórdido para propagar minha memória no imaginário dos que vierem depois. Imagine. Todos lembrando as coisas imundas que fiz. Em um misto de repulsa e inveja. Porque o impuro é necessário para suprir a fantasia daqueles que se mantém na normalidade do que dizemos certo. E o certo e o bom são receitas preparadas para impedir que nos tornemos todos loucos, e loucura geral seria tão tediosa como a sanidade. Simples questão de contraste.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Terminada a segunda garrafa o conforto não veio e me cansei de meus pensamentos e reflexões. Idéias vazias e repetitivas flutuando solitárias pela minha mente. Olhando as duas garrafas fica agora mais uma dúvida. De novo me encontro entre dois caminhos. Uma garrafa quebrada serviria para cortar a carne que sangra lentamente ou uma inteira serviria para estilhaçar um vidro ruidosamente por onde depois passaria um corpo que grita a plenos pulmões? Como seria melhor passar pela vida: calma ou ruidosamente? &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-3246876534540097548?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/3246876534540097548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=3246876534540097548' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/3246876534540097548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/3246876534540097548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2010/01/dois-caminhos.html' title='Dois caminhos'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_OvhuAQ7H8GQ/S2DqY0XxaSI/AAAAAAAAAJ4/3wQR9xjxG4Q/s72-c/3730294949_faaa1a2e75_b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-4591173553277755336</id><published>2009-11-01T22:26:00.000-02:00</published><updated>2009-11-01T22:27:08.944-02:00</updated><title type='text'>Cores</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Vem uma sensação de enjôo marítimo. Um embrulho no estômago. Poderia culpar meu almoço. Se houvesse um almoço. Nada entrou em meu estômago hoje que agora estaria em litígio comigo. O vento bate no meu rosto. Aquela sensação gostosa de sentir o cabelo dançando no ar. Não. Não é a viagem. Uma viagem tranqüila de quinze minutos não me causa o enjôo. Um pequeno percurso de barca não traria tanto desconforto. Ao contrário, sempre senti prazer. Fumar um cigarro na popa, sentindo o vento e observando o rastro de espuma na água. Mas por que a sensação? Como se alguma coisa quisesse pular para fora de mim? Expelir-se? Não consigo lembrar nem um único problema recente que me levasse a isso. Não acabei de terminar um relacionamento. Não briguei com ninguém. Não estou ressentido. Nem magoado. Ou insatisfeito. Nada. Mas a sensação só cresce. Atormenta. Irrompe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Acontece.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Caído no chão. Ninguém por perto para ajudar: a barca está quase vazia, e eu aqui sozinho nos fundos. Com as mãos em uma poça de vômito que escorre pela tábua de madeira e goteja junto à espuma. Começo a rir. A baía já não é poluída o suficiente? A sensação ruim foi toda embora. Enjôo marítimo mesmo. Uma primeira vez para uma coisa improvável. Como é estranha a primeira vez. Mas felizmente não deve acontecer mais. Sinto-me bem agora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;De novo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Estupefato. Outro jato. E mais outro. Ainda havia alguma coisa para sair. Alguma coisa que me faz mal. Tento levantar dessa vez e não consigo. Tudo está estranho. Sem cor. Isso está começando a ficar sério. A poça é vermelha agora. E verde, amarela, azul. Não me lembro de ter comido um arco-íris. E só agora com o rosto molhado pelo próprio líquido expelido percebo. Não é nojento. Não tem cheiro ruim. Cheira a tinta. Tinta fresca. E o mais estranho é que são as únicas cores que vejo. Todo o resto é cinza. Isso não tem como estar acontecendo. Melhor me sentar, acender um cigarro e esperar acordar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;E assim foram mais cinco. Não náusea. Cigarros. Mais cinco cigarros e não acordei. E também ninguém passou por aqui. Na verdade percebo que a viagem está demorada. Mas olhar no relógio me mostra que só se passaram cinco minutos. E as cores não voltam. A não ser as que restaram espalhadas no chão. E se eu comesse tudo de volta? Tudo voltaria ao normal? A idéia me parece nojenta também, mas nada até agora aconteceu de forma muito normal. Quem sabe assim o sonho não acaba logo? Vamos lá. Coragem! Só passar o dedo, molhá-lo e experimentar. E vamos ver se dá certo. Lambo os dedos de olhos fechados. Abro devagar. Ainda cinza.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Mas espere!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-tab-count:1"&gt;                &lt;/span&gt;Sim, está pálido. Quase imperceptível. Mas há alguma cor. Em desespero começo a lamber todo o assoalho. E surpreendentemente melhoro aos poucos. Os tons mais detalhados retornam. Mas ainda falta alguma coisa. E já bebi tudo de novo. O que terá se perdido? Ou será... O restante que escorreu pelo mar? Isso está faltando? As gotas que se misturaram com a espuma conforme a barca andava e empurrava a água para trás? Em seu lento deslocamento? Bem se for isso posso tentar me jogar na água e beber o máximo que conseguir. Isso se eu soubesse nadar. Mas temos coletes aqui. Mas... Algumas gotas já não teriam sido completamente absorvidas pela água? Diluídas? Com certeza. Mas como isso termina? Terei que aceitar continuar sem as cores que perdi no meio do caminho? Por motivos que nem sei explicar? A única opção a isso é me aventurar nas águas. Com a possibilidade de não resolver meu problema. Ou me afogar. Olho mais uma vez no relógio. A viagem já dura dez minutos. Acendo então mais um cigarro. Tenho muito que pensar no pouco tempo que me resta.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-4591173553277755336?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/4591173553277755336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=4591173553277755336' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/4591173553277755336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/4591173553277755336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2009/11/cores.html' title='Cores'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-1354130755183330724</id><published>2009-10-26T17:22:00.002-02:00</published><updated>2009-10-26T17:22:25.955-02:00</updated><title type='text'>Indiferentes</title><content type='html'>Já perdi a conta de quanto tempo permaneço aqui acordado contabilizando as coisas no quarto. Não lembro em qual recontagem estou, mas continuo. No criado mudo, um cinzeiro, cigarros, isqueiro, um copo agora vazio, um livro e um lápis para fazer anotações, algumas moedas. Na cama, além de mim, os lençóis, o travesseiro. Um cabideiro repleto de roupas. A luz que entra pela janela anunciando que o dia já recomeçou. E essa é uma informação nova. O recado é que meus artifícios não surtiram efeito. Não dormi toda a noite, apenas fiquei contando coisas, desperdiçando pensamentos em funções sem sentido. E o dia anunciado avisa que é necessário recomeçar a rotina. O que será que as outras pessoas fazem em suas noites insones? Pensam em que? Em suas vidas? Seria uma oportunidade interessante em fazer essa reflexão a que tão pouco dedicamos tempo. Talvez por medo da carência de sentidos. Talvez por haver coisa melhor a fazer. A velha história de que a vida foi feita para ser vivida. Então por que pensar nela. Talvez por preguiça apenas. E afinal não é essa a responsável pela maioria das coisas que deixamos de fazer? Por essa última consideração decidi que é a resposta mais aceitável. Ou ao menos a menos dolorosa. Pois apenas imaginar que ninguém desperdiça muito tempo pensando em sua vida por medo de não encontrar sentido é mesmo muito triste. E agora prefiro não pensar assim. Pelo menos não depois de uma noite em claro.&lt;br /&gt;                Mas espere. Mais uma vez estou aqui divagando e fugindo da pergunta inicial!&lt;br /&gt;                Em que as pessoas pensam quando estão com insônia? Principalmente se precisam trabalhar no dia seguinte e precisam desesperadamente dormir. Porque ao longo do dia sentirão um sono incontrolável. E tomarão altas doses de café ou chá, o que preferirem. Ou refrigerante. Guaraná. Anfetaminas. Cada um resolvendo-se com o que tem ou pode, com um fim comum: não dormir em cima da mesa. Evitar o constrangimento e as piadas dos colegas. Ou mesmo uma repreensão do chefe. Demissão quem sabe. Porque alguns empregos são muito rígidos, não é verdade? Olhando no relógio agora percebo que já se passaram vinte minutos desde que me perdi nesses pensamentos. Se continuar assim vou perder a hora para o trabalho. Trabalho. Trabalho? Ora! Acabei de passar uma noite sem dormir. Como posso trabalhar nessas condições? Decidido. Hoje não pegarei o metrô. Nem andarei pela rua. Nem comprarei um café ou cappuccino, dependendo do quanto de moedas eu eventualmente tenha no bolso. Nada de elevador ou cartão de ponto. Crachá. Não vou esperar pela compreensão do chefe irritado. Desconte o dia não trabalhado. Estou convicto do motivo da insônia. Bebedeira? Antes fosse. Um sinal de vida social. Nada disso! Aborrecimento, estresse, fadiga. Quem é culpado disso além do próprio trabalho? O trânsito, as contas? Não teria tais problemas se não trabalhasse. Só a despreocupação enlouquecida de um morador de rua. Isso mesmo. Nada de trabalho para mim hoje. Tirarei um dia para mim. Recuperar as forças. Passear, ver televisão e dormir à tarde. Um autêntico domingo merecido. Mesmo porque nesse domingo tive que visitar minha mãe. A diversão e o descanso não me sorriram. Mais vinte minutos se passaram. Bem, até eu sair agora, chegaria atrasado mesmo.&lt;br /&gt;                Café da manhã demorado, horas no chuveiro. Imagino um ecologista batendo na porta falando de recursos esgotáveis. Risadas. Que a água se esgote. Não será hoje mesmo. Hoje quero passar horas embaixo do chuveiro. Até os dedos enrugarem. O barulho da água batendo na cabeça, com os olhos fechados, não é uma delícia? Paz deliciosa. Silêncio absoluto e ruidoso. Deliciosa água quente escorrendo pelo corpo. Deliciosa água. Fria? Grito. Disjuntor desarmado. Muito tempo com o chuveiro elétrico ligado. O ecologista na porta ri de&amp;shy; mim agora e vai embora satisfeito. Ao menos já está num bom horário para avisar que não trabalharei. Isso necessita de um cálculo muito complicado. Por exemplo, se vai alegar uma emergência, doença na família e coisas do tipo, alguém ligaria pontualmente no horário de entrada? É claro que não. Quem se lembra do horário do trabalho com a mãe no hospital. Melhor ligar ao meio dia. A lembrança só veio horas depois. Porque seu problema era realmente gravíssimo. Mas vou alegar indisposição. Então ligarei poucos minutos depois. Dizendo que se melhorar eu irei. Mentira. Todo chefe quando ouve isso já deve ter em conta que terá um funcionário a menos o dia inteiro. Telefone do escritório. Nada. Ninguém atende. Maldita secretária. Nunca chega no horário. Telefone do chefe.&lt;br /&gt;                 &amp;shy;Alô?&lt;br /&gt;                O que você quer comigo hoje a essa hora rapaz?&lt;br /&gt;                Eu queria só avisar que... Como assim hoje a essa hora? São apenas oito e meia senhor.&lt;br /&gt;                Isso mesmo. Oito e meia da manhã de sábado. O que você quer?&lt;br /&gt;                Nada. Nada demais. —Sábado?&lt;br /&gt;                E você me acorda para não me falar nada demais? Você bebeu?&lt;br /&gt;                Não! Quem me dera. É que tenho uns trabalhos pendentes. Tudo bem se eu aparecer lá para resolver isso hoje?&lt;br /&gt;                Ah! Era só isso? Já não te falei que nem precisam me avisar se precisarem ir até lá fora de horário? Fique a vontade! Abraço e não vá perder o sábado inteiro trabalhando!&lt;br /&gt;                Tchau senhor! E desculpe o incômodo.&lt;br /&gt;                Às vezes minha vida parece um insuportável clichê. Já estou de banho tomado mesmo. Vou trabalhar no sábado. Meus dias são tão indiferentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-1354130755183330724?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/1354130755183330724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=1354130755183330724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/1354130755183330724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/1354130755183330724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2009/10/indiferentes.html' title='Indiferentes'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-5264472124322964247</id><published>2009-10-26T17:20:00.000-02:00</published><updated>2009-10-26T17:21:14.425-02:00</updated><title type='text'>Mais um dia acordou</title><content type='html'>Mais um dia acordou, bebeu a água que havia deixado no criado mudo na última noite para uma sede noturna. Ele nunca acordava a noite mesmo. Servia sempre para o desjejum, que sempre era acompanhado pelo cigarro. Levantou até a cozinha para preparar uma jarra de café enquanto lia uma revista velha. Mas naquele dia havia um som estranho. E não era o aparelho de som que havia esquecido ligado, como acontecia com freqüência. Havia um pássaro na janela. A melodia era agradável. Na verdade não se recordava de jamais ouvir um pássaro cantar daquela forma. Natural. Coisas da vida na cidade grande. Lembrou por um momento dos parentes do interior, mas logo percebeu que o café estava pronto. Sem açúcar. Duas xícaras.&lt;br /&gt;                Já pronto para sair, chaves, telefone e carteira no bolso, pegou o pão esquecido na torradeira para comer enquanto descia pelo elevador. O porteiro como de costume não estava ainda na portaria. O preço do condomínio devia ser reduzido. Assim como o salário do senhor preguiçoso. Acenou para o primeiro táxi: vamos pegar a ponte. Corrida normal, pouco trânsito. Na subida da ponte abriu a janela para sentir o vento no rosto e acabou cochilando.&lt;br /&gt;                Acordou. Sentiu um cheiro de queimado. Assustado deu um salto para fora da cama e correu para vasculhar toda a casa. Chegando à cozinha, suspiro de alívio. Havia esquecido a cafeteira ligada. Na jarra um torrão preto no fundo. O alívio deu lugar ao aborrecimento. Seria um problema limpar aquilo. Mas certamente a preguiça o obrigaria a comprar uma jarra nova. Não era a primeira vez que isso acontecia. O que causou certo estranhamento. Aquilo não era o suficiente para deixar a casa com tamanho cheiro de queimado. Deu mais uma busca pelos cômodos. Nada. Relaxou. Seguindo a rotina, tomou seu banho e só depois fumou seu primeiro cigarro do dia. Riu pensando que só assim para demorar tanto para começar a fumar. No quarto achou o copo que havia deixado no criado mudo e despejou a água na pia do banheiro.&lt;br /&gt;                Já no elevador teve que voltar ao apartamento, pois havia esquecido o telefone. Praguejou. Era mesmo seu passatempo favorito. Na portaria cumprimentou o porteiro, que por algum milagre havia acordado no horário correto e já estava trabalhando. Logo que pôs os pés na rua avistou um táxi. Ensaiou uma pequena corrida acenando para o motorista parar. Mas nesse momento olhou para o chão e viu um pombo morto. Na tentativa de desviar para não começar o dia pisando em um cadáver nojento, acabou torcendo o tornozelo. Caiu. A cabeça, de encontro a um hidrante. Desmaiou com o impacto.&lt;br /&gt;                Dor. Isso era tudo o sentia quando acordou. E não conseguia respirar direito. O ar parecia vermelho. Estendeu a mão para o lado procurando o copo de água que sempre deixava no criado mudo, mesmo com a visão turva e sem ter certeza de onde estava. O ato desconexo só fez deixar cair o copo, assim como o frasco de remédio para dormir que havia tomado na noite anterior. Dois, para garantir. Mas não foi só isso. Também sentiu enorme dor nas mãos. Olhando para as mãos cerrando os olhos para conseguir focalizá-las, percebeu que estavam muito feridas. Olhando para o resto do corpo percebeu o mesmo. Os efeitos do remédio pareciam não ter passado. Sentia-se em um estado de torpor desesperador. O céu realmente estava vermelho. Repleto de labaredas. Cigarros acesos na cama. Era bom fumar enquanto o remédio não fazia efeito. Tentou levantar e correr. Gritar. Mas não conseguia. Não sabia se pelas queimaduras ou pelo efeito químico que buscou para dormir. Ficou ali deitado. Tentando mover-se, só conseguindo uns gestos tortos. A dor parecia aumentar. Ficava mais difícil respirar. O ar vermelho parecia tornar-se negro. Os remédios. Tomar mais uns quatro comprimidos seria a solução. Mas não era possível. Havia deixado cair no chão. O ar insalubre fez com que fosse perdendo a consciência.&lt;br /&gt;                Ali mesmo ele morreu. Dizem que se sufocou com a fumaça antes de morrer pelas queimaduras, o que deve ter diminuído sua dor. O quarto foi consumido pelo fogo. No enterro, sua mãe chorou agarrada a um pequeno pedaço de tecido. Um pequeno pedaço sobrevivente de um quadro que havia pintado para seu filho e que ornamentava o quarto dele. Um ninho de pássaros para ele lembrar-se de seus parentes do interior.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-5264472124322964247?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/5264472124322964247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=5264472124322964247' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/5264472124322964247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/5264472124322964247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2009/10/mais-um-dia-acordou.html' title='Mais um dia acordou'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-9172324678998845599</id><published>2009-03-25T00:19:00.000-03:00</published><updated>2009-03-25T00:25:50.259-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://issuu.com/rabiscosafins/docs/rabiscos4"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 234px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_OvhuAQ7H8GQ/ScmkIirMKuI/AAAAAAAAAEI/sh9cjEOxg0E/s320/capa-rabiscos4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316961301741447906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-9172324678998845599?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/9172324678998845599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=9172324678998845599' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/9172324678998845599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/9172324678998845599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2009/03/blog-post.html' title=''/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_OvhuAQ7H8GQ/ScmkIirMKuI/AAAAAAAAAEI/sh9cjEOxg0E/s72-c/capa-rabiscos4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-3685405887598420397</id><published>2008-07-08T16:42:00.001-03:00</published><updated>2008-07-08T21:44:22.289-03:00</updated><title type='text'>Memórias expelidas</title><content type='html'>Descendo as escadas o rapaz buscava reconhecer o ambiente. Alguns quadros na parede e lá embaixo um móvel com porta-retratos onde ele aparecia em fotos ao lado de pessoas de quem não se lembrava. Parecia ter nascido a quinze minutos atrás, quando despertou em uma cama estranha, em um quarto estranho. Desde aquele momento não se sentiu assustado, mas curioso. Reagiu como se estivesse vivendo uma aventura quando o desespero tomaria conta de qualquer outra pessoa. Se o que havia esquecido era muito desinteressante ou mesmo ruim, talvez o esquecimento houvesse sido desejado. Talvez por isso uma inconsciente sensação de alívio que superava o medo. Descendo, acabou chegando a uma sala. Ouviu ruídos. Percebendo que vinha de outro cômodo, decidiu dirigir-se até lá. Passando por um corredor entrou pela porta que dava para uma cozinha. Junto ao fogão estava uma mulher um pouco gorda de cabelos curtos que preparava o café da manhã.&lt;br /&gt;-Já acordou, Pedro? O café fica pronto em um minuto.&lt;br /&gt;Então a mulher o conhecia e esclareceu o seu nome a Pedro. Sua mãe, provavelmente? Não lembrava de tê-la visto antes. Ainda assim sentou-se à mesa quase automaticamente e recebeu logo um sanduíche com queijo quente. Estava sem fome. Sentia o estômago dando nós. A mulher logo se sentou ao seu lado, e colocou em sua frente um copo de leite.&lt;br /&gt;-Acordei ontem de noite e vi que adormeceu com a cara no livro.&lt;br /&gt;Livro? Não lembrava de ter acordado com livro nenhum. Mas que livro?&lt;br /&gt;-Aquele em que sempre escreve. Seu diário... Sei lá! Nunca me conta nada mesmo.&lt;br /&gt;Havia pensado alto na pergunta, mas ao menos ganhou uma resposta. Um diário. Não lembrava mesmo dele, mas seria interessante encontrá-lo. Poderia ser esclarecedor. Mas tão rápido veio a idéia de encontrar algo com que pudesse solucionar o mistério, livrou-se dela. Estava tudo tão interessante. Essa sensação de novidade. Cada momento casual parecia tão intrigante. A mulher não falava mais nada. Só comia. O sanduíche de Pedro inteiro ainda. Tentou imaginar um nome para ela. Nesse mesmo instante a dor no estômago aumentou. Levantou-se correndo e precipitou-se em busca de um banheiro. Havia um logo ao lado, no corredor.&lt;br /&gt;-O que houve?&lt;br /&gt;A voz foi abafada pela porta se fechando. Debruçado sobre o vaso sanitário sentia uma vontade dolorosa de vomitar. Mas não conseguia. Levantou-se e foi até a pia tentar lavar o rosto, mas antes que abrisse a torneira, vomitou. A dor passou de pronto. E viu o porquê de tanta dor. Era um pedaço de papel amassado. Seco. Desembrulhou e viu que tinha alguma coisa rabiscada. Nesse momento começou a ficar assustado. E se aquela mulher era sua mãe, poderia lhe ajudar. Voltou à cozinha. Olhou para ela, que retornava o olhar, preocupada. Resolveu dar o papel em sua mão. Ela olhou sem entender muito.&lt;br /&gt;-“Vera, sua mãe”. O que é isso Pedro? Alguma piada maluca? Fiquei assustada sabia? Suba já e termine de se arrumar para ir para a aula!&lt;br /&gt;Pedro pegou o papel de volta e agora podia ler claramente o que estava escrito. Não sabia reconhecer se a caligrafia era sua, mas pela reação de Vera acreditava que sim. Subiu para o quarto onde acordou, vestiu outra roupa e saiu daquela casa. Ainda na porta lembrou que deveria assistir aula. Aula de que? A dor voltou. Escorou-se na parede e foi abaixando até quase se sentar no chão. Doía muito. Mais uma vez vomitou. Outra folha de papel. Agora já sabia ler. Era um endereço, o nome de uma universidade, um número de uma sala e um horário. Já sabia onde seria a aula. Ficou receoso de perguntar-se mais qualquer coisa. Caminhou um pouco até ver um homem parado.&lt;br /&gt;-Com licença, o senhor saberia me explicar como chego a esse endereço?&lt;br /&gt;-Ora, Pedro, que história é essa? Não sabe mais como chegar na faculdade? E que papo é esse de senhor? Não me reconhece mais garoto?&lt;br /&gt;Não. Não reconhecia. Quem era ele? Fez mais uma pergunta a si. A dor retornou no mesmo momento. Pedro saiu correndo de perto do homem que o observou espantado. Correu até a esquina e parou para vomitar de novo. “Carlos, amigo do seu pai e vizinho”. Dessa vez foi o que estava escrito. A grande aventura começava a revelar-se muito dolorida e inconveniente. A cada coisa que precisasse lembrar seria daquele jeito? Como ele poderia impedir-se de pensar em perguntas quando não sabia de nada? Pedro recomeçou a correr ensandecido já muito aborrecido com tudo o que estava acontecendo. Cansado, acabou parando em uma praça e sentando-se no banco. Decidiu fazer uma pergunta de novo. O que está acontecendo? Nada. O que diabos está acontecendo? Sem dor. Merda, o que está acontecendo? Frustração.&lt;br /&gt;Então possuído por uma raiva louca Pedro pôs um dedo na garganta para induzir o vômito. Não conseguiu. Tentou mais um dedo, e mais um, até quase enfiar toda sua mão na garganta. Começou a sentir que ia regurgitar. Mas não acontecia de fato. E continuou. Sentia dor. Com a ponta dos dedos sentiu alguma coisa. E agarrou para fora sem se importar se era algum órgão. Só queria outro papel. E era. Mais um. Seco. Precisou de alguns momentos para se recompor antes de desdobrá-lo para ler. Ajeitou o cabelo e disfarçou para as pessoas que o olhavam, passando na rua.&lt;br /&gt;Abriu o papel.&lt;br /&gt;“Apaguei apenas as memórias que não valiam à pena. Os fracassos”.&lt;br /&gt;-Meu Deus! Mas então se foram todas?&lt;br /&gt;Mais uma vez a pergunta de Pedro ficou sem resposta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-3685405887598420397?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/3685405887598420397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=3685405887598420397' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/3685405887598420397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/3685405887598420397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2008/07/memrias-expelidas.html' title='Memórias expelidas'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-2504287551531446408</id><published>2008-07-05T07:58:00.000-03:00</published><updated>2008-07-05T07:59:28.213-03:00</updated><title type='text'>Aguardando o tempo</title><content type='html'>Mais uma noite se passa enquanto você dorme calmamente. Insone. Sabe, devo confessar uma coisa: tenho medo de dormir sozinho. Alguns lugares me apavoram mais. Quando eu era criança, meu quarto dava p um corredor com uma escada escura de onde eu não podia saber o que poderia estar vindo. A porta dessa casa agora me dá uma impressão muito semelhante. Nesses dias tenho pensado muito naqueles tempos. Tempos de criança medrosa. Sempre com medo e chorando. Sim. Eu tenho medo de muitas coisas. Ao crescer medos novos vieram e alguns antigos persistiram. Aranhas por exemplo. Deixam-me paralisado. Não ria. É verdade. Passa agora um filme que vi há algum tempo e gostei muito. Mas não me causa grande interesse. Não prende minha atenção. Será porque estou assustado demais? Talvez. Só o que espero agora é pelos primeiros raios de sol. Então vou dormir de janela aberta e porta escancarada. Mas ainda restam algumas horas para que isso aconteça. Enquanto isso eu te digo, mesmo sem que possa me ouvir: estou com medo de dormir no escuro sozinho. Poderia também enumerar meus outros medos. Mas acho que seria repetitivo. Já não disse que tenho medo de aranhas? Viu? Já repeti. Então talvez, se já retornei a isso, ainda que me pareça não ter saído em momento algum, posso falar de medos mais interessantes. Medos de bichos e assombrações são tão comuns. Não obstante, o medo da solidão não seria nenhuma novidade para qualquer pessoa, não? Mas talvez possamos tentar um pouco falar sobre ele. Tentemos então. Sabe sou uma pessoa bastante segura na maioria do tempo. Mas quando alguma coisa me faz pensar um pouco demais isso muda um pouco (e acho mesmo que dizer “pensar demais” é um disfarce barato). Certamente já me disse certamente padecer do medo da solidão, mas meu estatuto pessoal me impediu de concordar no fato de que também o sinto. E de fato encaramos isso de forma bem diferente. Ainda que de fato eu nunca esteja verdadeiramente só desde que possa sentir o calor e a névoa penetrando em meus pulmões. É uma companhia onipresente desde que possa pagar por ela. O que é muito interessante. Já pensou na conveniência de uma companhia sempre agradável que se compra por pouco dinheiro? Concordo que ela termina rápido. Mas sempre posso desfrutar de outra. Mas nem todas as companhias são tão fáceis e sabidamente prazerosas. Algumas têm que ser mais trabalhadas. Felizmente posso te dizer que sua companhia me é prazerosa espontaneamente. Não é preciso nenhum trabalho para torná-la melhor. Mas é claro que isso não me impede de ocasionalmente fazer um mimo. E como fico feliz quando eles são bem recebidos. E muito da minha ira quando eles não dão certo acontece em função de minha total inabilidade em lidar com situações em que aquilo que planejei não ocorre da maneira correta. Nesse momento mesmo acabei de retornar duas vezes ao texto procurando erros. Mas vou tentar algo diferente hoje e não retornar mais. Simplesmente deixá-lo como sair. Tentando aceitar que os erros acontecerão porque serão necessários. Ou ao menos servirão como algum ponto de interesse a um texto enfadonho. Digo isso porque nesse momento percebo que me perdi um pouco. Mas posso reverter isso retornando ao ponto. Tentemos deixar isso tudo um pouco mais coerente. Sabe aquelas pessoas que têm medo de algo que já deu errado pode dar de novo? É, às vezes sou assim. Durante um longo tempo pensei que o precedente a tudo comandava. Portanto tudo o que já foi feito uma vez poderia acontecer de novo. Como se o raio estivesse predestinado a cair no mesmo lugar. Mas convenhamos que essa idéia é muito difícil de levar adiante. Afinal, como eu poderia prever se um raio já não caiu aqui, exatamente onde estou? Há centenas de milhares de anos talvez? Há menos tempo, quem sabe. A questão é que se escolhesse seguir pensando assim estaria me trazendo dificuldades muito sérias. Mas não posso deixar de confessar que penso nisso às vezes. Mas logo penso que seria bobagem. Talvez o grande fundo disso tudo seja uma coisa que tenho muito presente em mim. Um certo assombro pelo novo, o diferente. Aquela sensação de não ser mais único, entende? Lidar com o diverso que nunca viu. Como uma criança que tem que dividir a atenção com um irmão recém chegado (aliás, coisa que nunca senti, sou caçula). Ainda que talvez travar uma batalha com um irmão já nascido seja mais desgastante. E profundamente desnecessário. Uma situação nova com a qual eu não saiba lidar me incomoda demais. E você é uma pessoa também que me traz isso. Felizmente. Afinal, pessoas assim nos dão chance de amadurecer, mudar. Causam reações. Não concorda? Ou seria bobagem minha? Não me responde? Bem, talvez não responda porque estou perguntando para uma tela de luz. Mas mesmo sem que possa me ouvir gostaria que não valorizasse demais meus medos. Pense que só em sentir-me seguro em expô-los a você já é uma enorme manifestação de confiança. Mesmo que eu não te diga nada agora. Sei que ouvirá isso um dia. Sim, é hoje mesmo esse dia. Hoje para você. E seu hoje é também meu presente. Estou nele, não é verdade? Espere um minuto. Vou acender um cigarro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Voltei antes de terminar porque vi no filme uma cena em que uma mulher olha para um rosto dentro de um carro que some disforme. Já pensou nas pessoas que escolhe para não serem passageiras? Pensou no quanto isso é interessante. Teoricamente só seus pais são assim, levados somente pela morte que aguarda a todos. Mas algumas pessoas nós escolhemos e damos a honraria desse estatuto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Desculpe-me. Demorei porque assistia a cena mais memorável do filme. E porque ela me fez pensar o quanto o que escrevi acima daria um belo ponto final a tudo. Mas não penso que seria correto terminar com o que seria um interlúdio. Mesmo que possamos encarar alguns interlúdios como definitivos. Então devo escrever mais algumas linhas em que simplesmente não sei o que dizer. Mas como são também cinco horas da manhã, não tardará aparecer os primeiros tímidos raios de sol. Mesmo porque hoje não choverá nem para mim nem para você. Ainda que meus medos de infância me assombrem ainda. Afinal eles são parte de mim também. E uma pessoa sem medo certamente não deve viver a excitação de superar um obstáculo. Ainda que tenha sido você mesmo quem o colocou lá. E no final de toda corrida não há sempre um troféu a sua espera? Por menor que possa parecer aos olhos dos demais não deve ser sempre importante para quem o recebe? Certa vez eu já ganhei um sabia? E independente do pó acumulado na prateleira, sempre poderei limpá-lo cuidadosamente. Mesmo porque, eu sempre o manterei lá.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-2504287551531446408?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/2504287551531446408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=2504287551531446408' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/2504287551531446408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/2504287551531446408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2008/07/aguardando-o-tempo.html' title='Aguardando o tempo'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-5949736264608085644</id><published>2008-06-17T14:45:00.000-03:00</published><updated>2008-06-17T14:48:13.953-03:00</updated><title type='text'>em cólera</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;É preciso escapar&lt;br /&gt;da mediocridade.&lt;br /&gt;E para fugir&lt;br /&gt;é preciso afundar-se.&lt;br /&gt;O limite do normal&lt;br /&gt;é o mais indesejado e frustrante, então destaquemo-nos.&lt;br /&gt;E para isso sorver quantos goles for necessário.&lt;br /&gt;E buscar ser tomado pela cólera.&lt;br /&gt;Sentimentos e ações em fúria.&lt;br /&gt;Pois o amor nos dá apenas&lt;br /&gt;gestos suaves.&lt;br /&gt;Mas é preciso agir na ira.&lt;br /&gt;Mostrar força.&lt;br /&gt;Ainda que falsa.&lt;br /&gt;Um rosto vermelho e um punho em riste.&lt;br /&gt;Gritar. Sussurros são grilhões.&lt;br /&gt;O afago é mais um esconderijo.&lt;br /&gt;A liberdade é larga em gestos.&lt;br /&gt;É única e dispensa o coletivo. Eu sou a célula base.&lt;br /&gt;As reações que nos rodeiam&lt;br /&gt;são apenas meras sombras desimportantes.&lt;br /&gt;O fim&lt;br /&gt;é solitário e enraivecido&lt;br /&gt;enquanto erguemos a mão em um tapa na permanência.&lt;br /&gt;Desvencilhe-se&lt;br /&gt;em cólera. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-5949736264608085644?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/5949736264608085644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=5949736264608085644' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/5949736264608085644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/5949736264608085644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2008/06/em-clera.html' title='em cólera'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-462403037726745585</id><published>2008-02-07T16:30:00.000-02:00</published><updated>2008-02-07T16:36:38.743-02:00</updated><title type='text'>Névoa cintilante</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Em todas as cortes conhecidas era unanimidade: aquela jovem era a mais linda de todas as damas. E todos os joalheiros e costureiros. E sapateiros. E peruqueiros. E perfumistas. Todos disputavam quem teria a honra de vesti-la. Assim, somava-se à sua beleza natural as mais belas jóias, vestidos, sapatos, perucas e perfumes já vistos. E seu orgulhoso pai reservou um aposento somente para guardar todos esses presentes. E já era preciso um segundo. A própria natureza rendia-se aos seus encantos. A jovem era seguida por lindas borboletas furta-cor, que combinavam com tudo o que ela vestia e deixavam um rastro de poeira cintilante suspenso no ar por onde passavam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Mas havia um problema. Sua beleza era tal que intimidava os demais. Por isso, eram poucos os que se aproximavam dela. E mais raros os que lhe dirigiam a palavra, ou olhavam nos olhos. Mas ainda assim ela tinha quatro amigas inseparáveis. E tratando-se de uma corte de relações tão aristocraticamente formais, possuir quatro amigas sinceras não era nada mal. Ao contrário. Estava de bom tamanho. Elas também eram belas e talvez isso aliviasse seu temor, ainda que as belezas fossem incomparáveis. Então a bela jovem não sentia tanto a falta de todos os outros. Mas faltava-lhe um amor. E como ela sofreu quando uma de suas amigas viajou para uma corte distante por ter encontrado lá uma grande paixão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Outro baque foi ainda mais inesperado. O agradável pó cintilante que emanava das maravilhosas borboletas envolvendo-a em névoa majestosa trouxe grave enfermidade a uma de suas amigas. Uma reação sinistra tomou conta da pele da pobre moça, disseminando manchas vermelhas em toda sua extensão que, em alguns pontos, explodia em chagas purulentas. O doutor prontamente proibiu o contato com as borboletas e, temerosas, as demais senhoritas decidiram afastar-se da bela amiga também, mesmo com enorme aperto em seus corações. A bela então se viu mais solitária que nunca.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ensandecida pela necessidade de amar e contato humano resolveu deixar para trás seus próprios princípios e orgulho. Uma vez que cavalheiros distintos e sérios temiam chegar perto dela, resolveu buscar a cura para a falta de afeto em homens de caráter duvidoso que, no máximo, dar-lhe-iam uma noite de prazeres sórdidos e isentos de sentimentos, sentindo-a enquanto planejavam a próxima conquista. Insinuou-se para todos os empregados. Até os mais repugnantes. Aqueles que ainda possuíam um fio de nobreza em seus corações rejeitaram-na por bondade. Afinal tal beleza não servia ao efêmero. O medo foi o que impediu que os mais asquerosos a deflorassem, afinal, conspurcar a jovem cuja beleza era reverenciada como a mais intocável das sacralidades certamente geraria perseguição implacável. Recusada por todos, a beldade passou uma noite inteira defronte o espelho. Olhou-se. E sentiu-se feia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Resolveu então se aventurar fora dos limites de sua casa, nas tabernas mais hediondas da cidade. Não buscava o amor. Queria o homem disposto a executar o mais sujo dos serviços pelo preço certo. Não demorou encontrá-lo. Para o pagamento separou uns dois pares dentre suas incontáveis jóias, facilmente reversíveis em títulos que proporcionariam renda vitalícia que bastasse para uma boa vida como a de um pequeno burguês. O serviço? Ela devia ser severamente agredida. Um nariz irreversivelmente quebrado. Um corte profundo com uma bela cicatriz. Um olho vazado. Qualquer um desses bastava. Dois valeriam um bônus especial. Negócio facilmente acertado. Afinal, homens desse tipo desfiguravam uma pessoa por uma caneca de cerveja. Por uma boa renda, matariam a mulher e os filhos, quiçá a mãe. Caminharam até um lugar desejadamente deserto, para dar cabo da empresa. O brutamontes pôs-se a postos. A jovem retirou o capuz e a capa usados para disfarçar quem era. Feito isso, as borboletas surgiram e seu pó iluminou o ambiente. Sua beleza ergue-se magnífica. O homem ficou estupefato: seu coração sujo nunca havia se deparado com tremenda glória. Permaneceu admirando aquele esplendor. Até cair. Inerte. A jovem não podia crer naquilo. Encheu-se de profunda tristeza e chorou lagrimas brilhantes como um diamante. As mais belas lágrimas já derramadas estavam ali. Ninguém pode admirá-las. A bela moça pensou que não poderia depender de ninguém então para resolver seu dilema. Ninguém conseguiria ajudá-la. O que restava-lhe fazer agora?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-462403037726745585?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/462403037726745585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=462403037726745585' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/462403037726745585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/462403037726745585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2008/02/nvoa-cintilante.html' title='Névoa cintilante'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-3689139451364633131</id><published>2008-01-14T18:35:00.000-02:00</published><updated>2008-01-14T18:37:15.845-02:00</updated><title type='text'>Monotonia</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Parecia mais um daqueles dias clichês. A chuva batia no vidro da janela do quarto e eu precisava de todos os meus cobertores para manter-me aquecido. O despertador já havia tocado diversas vezes. Tentei ignorar todas. O resquício da gripe forte me fazia sentir enorme preguiça. O gato estava enroscado na ponta da cama, próximo aos meus pés. Inerte. Em letargia. Tateei o criado-mudo em busca do controle remoto. Ligada, a luz da TV nova não invadiu o quarto como um sol agonizante. A luz azul não apareceu. Só então me dei conta de como a modernidade é fria. Busquei diferentes canais. Resignei-me. Um aparelho frio não seria capaz de aquecer-me o ânimo. Nos livros e filmes, geralmente, dias como esses reservam acontecimentos grandiosos e abruptos. Resolvi esperar então. Passados trinta e sete minutos tediosos compreendi que nada aconteceria mesmo. Levei a mão até o gato para fazer um afago. Ao toque da minha mão ele afastou-se e pulou da cama. Certamente o acontecimento mais interessante daquele dia monótono. Senti sede. Fingi que não sentia. Não tinha vontade de levantar para ir a cozinha. Desliguei a Tv. Colocando o controle de volta ao seu lugar esbarrei os dedos em uma caixa. Meus calmantes. Destaquei e engoli. Seco. Esperei mais alguns minutos e acordei agora. A chuva ainda bate na janela. Para me distrair relembro cada momento do dia anterior. Tento em vão torná-los excitante em palavras. Minha caneta também é enfadonha. Olho para o criado-mudo e vejo que só me restam quatro comprimidos. Meu tempo está acabando. O que fazer quando precisar voltar a viver? Talvez ir a farmácia e comprar mais algumas caixas. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-3689139451364633131?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/3689139451364633131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=3689139451364633131' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/3689139451364633131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/3689139451364633131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2008/01/monotonia.html' title='Monotonia'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-6098804119306303609</id><published>2008-01-13T17:30:00.000-02:00</published><updated>2008-01-13T17:46:20.609-02:00</updated><title type='text'>Entrevista</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Por favor, a senhorita pode me emprestar uma caneta?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-O senhor comparece a uma entrevista de emprego sem ao menos trazer uma caneta?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Está seca. Falhou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Aqui está. Não gostamos muito de falhas por aqui.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Começo ruim. Mas que culpa tenho? Não sou agora capacitado porque minha caneta falhou? O que posso fazer? Processar a fábrica de canetas? Alegar que perdi uma vaga por um defeito no produto deles e pedir uma pensão vitalícia?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Terminei. Aqui está sua caneta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Fique com ela, pode precisar. Sempre tenho uma de reserva, para uma emergência. É preciso estar preparado para superar os obstáculos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Obrigado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Vadia. Quer me testar? Se for admitido será minha subalterna. Pensa estar em condição melhor que a minha por ter uma colocação de mercado? Uma colocação de recepcionista?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Vou pedir ao doutor para recebê-lo. Pode servir-se de água se desejar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Na bandeja há duas jarras. Uma com água e outra com suco. E uma garrafa de café. Porque me ofereceu somente água? Sirvo-me do café. Está velho, com gosto ruim. Pego outro copo e encho de água. Talvez o suco esteja azedo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-O doutor irá atendê-lo em poucos minutos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Certo, eu espero.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Alô? A copeira não está? Ela precisa trocar o café, está aqui desde a manhã. Está velho. Passou mal? Filho? E ninguém pode fazer? Pelo menos retirar as garrafas?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Esclarecido o café frio. A copeira nos deixou aqui sem café fresco para cuidar da prole. Como se fizesse diferença. Seus filhos nunca estarão pleiteando uma vaga como a que concorro agora, se sobreviverem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Dia cheio não? Essas pessoas inventam muitos problemas para não trabalhar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Eu entendo, tenho dois filhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Mas para essas emergências temos babás, empregadas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Quem pode pagá-las.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Ah, elas cobram pouco. Precisam de pouco para manter-se de pé. E sempre se pode contar com as avós também!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Entendo. O doutor já pode vê-lo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Obrigado. É bom trabalhar aqui?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Para muitos, sim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Que bom!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Vai entender-se bem com o doutor. Seja você mesmo e terá a vaga.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;-Obrigado! Você é muito gentil!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Pelo visto a menina não é tão petulante quanto imaginei. Se ficar aqui acho que já arranjei a primeira.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-6098804119306303609?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/6098804119306303609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=6098804119306303609' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/6098804119306303609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/6098804119306303609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2008/01/entrevista.html' title='Entrevista'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-6145847984151330591</id><published>2007-10-20T11:38:00.000-02:00</published><updated>2007-10-20T11:41:54.314-02:00</updated><title type='text'>Vejo</title><content type='html'>Vejo&lt;br /&gt;em companhia azulada&lt;br /&gt;o corpo deitado&lt;br /&gt;pela fresta aberta&lt;br /&gt;pela porta ao lado&lt;br /&gt;em sono leve&lt;br /&gt;e respiração agora&lt;br /&gt;suave&lt;br /&gt;que outrora&lt;br /&gt;forte pesada&lt;br /&gt;fez brotar&lt;br /&gt;todo anseio&lt;br /&gt;que somente único&lt;br /&gt;desperta hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-6145847984151330591?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/6145847984151330591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=6145847984151330591' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/6145847984151330591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/6145847984151330591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2007/10/vejo.html' title='Vejo'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-4028746625608947127</id><published>2007-07-13T12:37:00.000-03:00</published><updated>2007-07-13T12:40:57.109-03:00</updated><title type='text'>Finda solitude</title><content type='html'>A solitude finda&lt;br /&gt;no abraço cálido&lt;br /&gt;que meu coração&lt;br /&gt;oferece a ti&lt;br /&gt;vociferando&lt;br /&gt;um ardor dócil&lt;br /&gt;e o desejo de manter&lt;br /&gt;ao seu lado&lt;br /&gt;a doce indulgência&lt;br /&gt;de um sorriso&lt;br /&gt;brotando em sua face.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-4028746625608947127?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/4028746625608947127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=4028746625608947127' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/4028746625608947127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/4028746625608947127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2007/07/finda-solitude.html' title='Finda solitude'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-116069981726628293</id><published>2006-10-12T21:27:00.000-03:00</published><updated>2006-10-12T21:45:32.360-03:00</updated><title type='text'>Trilha</title><content type='html'>Consegui atingir uma clareira. A grama baixa e macia faz contraste com a vegetação fechada pela qual caminhei para chegar até aqui. As arvores alinham-se em formato de elipse, eu ao centro. Olhando para uma das extremidades consigo distinguir a forma do lugar para onde me dirijo. O contorno é pouco definido, mas suficiente para apontar a direção que devo seguir. Chegando próximo às arvores vejo uma trilha que segue em direção ao meu destino. A trilha segue por apenas uns cinco metros, bifurcando-se em três caminhos. Observando o meu destino que se ergue ao longe a partir da trilha original, ele parece estar voltado um pouco mais à esquerda. Pela lógica, então, decido pegar a bifurcação da esquerda.&lt;br /&gt; A trilha da esquerda é agradável, coberta de pequenas flores amarelas com folhas de um verde muito vivo, formando um tapete pelo qual vou seguindo. Em um certo momento, surge ao meu lado direito um riacho estreito que corre muito rápido. O som das águas é delicioso. Ando feliz. Depois de andar por bastante tempo, aproveito as águas do riacho para me refrescar: lavo o rosto, mato a sede. Renovado para seguir adiante. Mas em um dado momento, percebo que já havia andado o suficiente para, pelo menos, avistar meu destino. Paro um instante e olho para trás. As flores amarelas tornaram-se vermelhas por onde passei. Aproximo-me e abaixo para observá-las. Parecem tingidas de sangue. Retiro uma das flores e percebo que em seu caule existem muitos espinhos, muito pequenos. Só então olho para os meus pés e percebo que eles estão feridos até o tornozelo. Mas não sinto dor alguma. Olho atentamente para a flor em minha mão e me dou conta de que a ponta dos dedos que a seguram estão dormentes. Levanto-me. Já havia andado tempo demais para retornar e, mesmo com esse incidente, o caminho era maravilhoso. Além do mais meus pés não incomodariam enquanto estivesse caminhando pelas flores amarelas, ainda que elas o ferissem cada vez mais. Continuo seguindo o caminho. O riacho dobra à direita e desaparece subitamente. Alguns metros adiante, as flores amarelas tornam-se mais esparsas e o caminho se abre. Vejo-me então de volta à clareira. Andei em círculo por um longo tempo.&lt;br /&gt; Cansado, deito-me um pouco na grama macia antes de tomar outro caminho. Aos poucos o efeito anestésico das flores amarelas passa e começo a sentir muita dor nos pés feridos. Decido que é melhor levantar e voltar a caminhar antes que a dor me domine e retire meu ânimo. Como a lógica me mandou para uma via enganosa, seguirei agora pela direita. Esse novo caminho logo não se mostra muito agradável. O capim bate quase à altura de meus joelhos e incomoda minhas feridas. As copas das árvores curvam-se sobre mim deixando cair alguns cipós que batem em minha cabeça. Não ouço mais o riacho. Pouco mais à frente, avisto uma cabana. Talvez o morador possa indicar-me o caminho correto ou dar-me algum remédio. Bato na porta e ela abre-se sozinha. A minúscula cabana está vazia. É um cômodo bastante sujo, com cheiro desagradável. A única mobília é uma cama grande. Exausto recosto-me nela. Acabo deitando e adormecendo.&lt;br /&gt; Acordo reconfortado. Por uma pequena janela vejo que o sol brilha entre as folhas das árvores. Certamente passei a noite ali. Meus pés pararam de doer. O cheiro do local é insuportável. Levanto e resolvo ir logo embora. Na saída vejo repousado ao lado da porta um facão. O objeto limpo, reluzente, com um cabo bem trabalhado em couro trançado, pedrarias e madrepérola, contrasta com aquele lugar. Levo-o comigo, para resolver o problema do capim alto e dos cipós que encontrei nessa trilha desagradável. Assim que saio da cabana, me lembro de como aquele caminho era terrível e resolvo não seguir adiante, mas retornar e tomar a trilha do meio. Com o facão vou abrindo caminho pela vegetação e os pés curados me dão novo fôlego.&lt;br /&gt; De volta á clareira sigo depressa pelo caminho do meio. Por ele sigo pisando a mesma grama macia da clareira. Algumas flores amarelas estendem-se à esquerda e posso ouvir ao longe o som do riacho correndo. Era também um caminho agradável, como o primeiro. Ando por ali por algum tempo sem me cansar. Mas por mais que eu ande ainda não consigo avistar o meu caminho. Nesse momento em que começo a encher-me de dúvidas, vejo um pássaro castanho, rechonchudo, acompanhando-me, pulando pelos galhos das árvores. Acho engraçado aquele pássaro gorducho com aparência de bobo saltitando. Mas fico muito feliz com sua companhia e conversamos bastante. Ele respondendo com piados estridentes. Desfruto de sua presença agradável por um tempo que não consigo medir, dado a felicidade em que nos encontrávamos. Até que de repente ele levanta vôo desengonçado. Pousa em meu ombro. Esfrega o bico em meu rosto. Vai embora. &lt;br /&gt; Torno a estar sozinho e começo a sentir-me triste. Continuo caminhando. Sinto-me aborrecido. Segui por tantos caminhos e, mesmo nesse último, não consigo atingir meu objetivo. A trilha segue infinitamente. A grama curta e macia e as flores amarelas à esquerda já se tornaram monótonas. O som do riacho desapareceu quando poucos metros atrás ele cruzou o caminho me forçando a atravessar suas águas rápidas para continuar. As pernas molhadas até as canelas. O pássaro castanho deixou de me acompanhar e foi embora. A saudade é enorme. O facão é um fardo nesse trecho em que não há vegetação que feche o caminho. Sento-me no chão. Não vejo nem a sombra de meu destino em minha frente. Novamente a trilha segue sinuosa em minha frente, e quanto mais procuro aproximar-me, a distância parece aumentar. Não é exatamente uma novidade. Errei o caminho novamente. Isso tudo já está tornando-se uma constante irritante. Desisto. Aguardo. Aguardo alguma coisa. Qualquer coisa. Mesmo sabendo que dificilmente encontraria algum viajante rumando essa trilha, a menos que esteja tão perdido quanto eu. E que esse viajante então não seria de grande ajuda. A solidão naquele lugar é certeza. Sento e espero. As pernas doem. Foi a última tentativa. Gostaria de nunca mais ter que andar novamente. Não agüento mais caminhar tanto. Não quero mais caminhar. Mas sei que, insistente, quando me recuperar vou tentar de novo. Olho para o facão repousado junto aos meus pés. Olho para ele. Olho para meus pés. Alinho os dois pés, seguro o cabo ornamentado da lâmina e desfiro um único golpe com toda minha força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não consegui partir os ossos, mas a dor é intensa. A grama fica vermelha, assim como as flores amarelas ficaram antes. As flores amarelas. As flores amarelas estão longe do alcance das minhas mãos e não tenho forças para me arrastar. Tudo que eu vejo fica branco. A dor torna-se frio. Vejo um borrão planando sobre mim. A forma é familiar. Um retorno? Estendo a mão, mas não posso alcançá-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-116069981726628293?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/116069981726628293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=116069981726628293' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/116069981726628293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/116069981726628293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/10/trilha.html' title='Trilha'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-115845527357982249</id><published>2006-09-16T21:57:00.000-03:00</published><updated>2006-09-16T22:07:54.123-03:00</updated><title type='text'>Apologia</title><content type='html'>Busco a cura&lt;br /&gt;vendida &lt;br /&gt;em toda esquina.&lt;br /&gt;Sorvo&lt;br /&gt;a dormência líquida&lt;br /&gt;esperançoso&lt;br /&gt;da cura de todo desgosto.&lt;br /&gt;Em instantes&lt;br /&gt;tudo são plumas&lt;br /&gt;leves.&lt;br /&gt;Visão suave&lt;br /&gt;de movimentos desconexos&lt;br /&gt;e suores frios.&lt;br /&gt;Imprime o riso à face,&lt;br /&gt;simples, largo,&lt;br /&gt;construído.&lt;br /&gt;Meu torpor se quer&lt;br /&gt;constante,&lt;br /&gt;permanente.&lt;br /&gt;Um toque é agora diferente.&lt;br /&gt;Engulo o que já não sinto.&lt;br /&gt;Tudo prossegue&lt;br /&gt;rumo ao momento&lt;br /&gt;inconsciente,&lt;br /&gt;sublime estado&lt;br /&gt;da não consciência&lt;br /&gt;que me desprende&lt;br /&gt;das agruras que me infligem,&lt;br /&gt;e me completa,&lt;br /&gt;mesmo que expelido&lt;br /&gt;da existência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-115845527357982249?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/115845527357982249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=115845527357982249' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/115845527357982249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/115845527357982249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/09/apologia.html' title='Apologia'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-115548018993433701</id><published>2006-08-13T11:41:00.000-03:00</published><updated>2006-08-13T11:43:10.253-03:00</updated><title type='text'>Douto distraído</title><content type='html'>Dura dor.&lt;br /&gt;Dura&lt;br /&gt;a distância demasiado&lt;br /&gt;dimensionada&lt;br /&gt;da dupla defectiva em&lt;br /&gt;dissabor dulcificado.&lt;br /&gt;Diletantes&lt;br /&gt;de dictérios draconianos.&lt;br /&gt;Deleite da dor,&lt;br /&gt;depauperando o dia-a-dia.&lt;br /&gt;Duplo dissentir duradoiro,&lt;br /&gt;dorido,&lt;br /&gt;defeso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-115548018993433701?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/115548018993433701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=115548018993433701' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/115548018993433701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/115548018993433701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/08/douto-distrado.html' title='Douto distraído'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-115410847092961471</id><published>2006-07-28T14:38:00.000-03:00</published><updated>2006-08-06T12:46:32.923-03:00</updated><title type='text'>Enamorados</title><content type='html'>-Alô.&lt;br /&gt;-Oi.&lt;br /&gt;-Ah, oi amor, como vai?&lt;br /&gt;-Estou voltando, chego aí amanhã.&lt;br /&gt;-Amanhã? Hum... Quanto tempo faz? Três meses?&lt;br /&gt;-Por aí. Quero aquele jantar especial...&lt;br /&gt;-Não pode me dar mais alguns dias? Para arrumar a casa?&lt;br /&gt;-Como assim? Estou morrendo de saudades de você, não da casa. Não está também?&lt;br /&gt;-Claro, é que...&lt;br /&gt;-Chego amanhã.&lt;br /&gt;-Comprou alguma coisa para mim? Um presente?&lt;br /&gt;-Como sempre.&lt;br /&gt;-É verdade.&lt;br /&gt;-Aconteceu alguma coisa?&lt;br /&gt;-Não.&lt;br /&gt;-Um aborrecimento? É comigo?&lt;br /&gt;-Porque seria?&lt;br /&gt;-Não sei. Sinto saudades de você, do seu corpo, do seu cheiro.&lt;br /&gt;-É. Eu também.&lt;br /&gt;-Mesmo?&lt;br /&gt;-Mesmo.&lt;br /&gt;-Você não parece bem. Conversamos melhor amanhã.&lt;br /&gt;-Não se incomode, pode falar agora.&lt;br /&gt;-Só queria dizer que te...&lt;br /&gt;-Um momento. Celular.&lt;br /&gt;-Ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Preciso ir, é importante.&lt;br /&gt;-Ok. Nos vemos amanhã.&lt;br /&gt;-Vai ficar aqui quantos dias?&lt;br /&gt;-Uma semana.&lt;br /&gt;-Pena. Tenho tanto trabalho a fazer nessa semana.&lt;br /&gt;-Aproveitaremos cada momento de folga.&lt;br /&gt;-Tentaremos.&lt;br /&gt;-Quer que eu fique aqui? Vai ser sacrificante emendar uma viagem na outra, mas não quero... Não sei. Atrapalhar.&lt;br /&gt;-Como lhe for conveniente.&lt;br /&gt;-Eu fico.&lt;br /&gt;-Pena. Eu te ligo.&lt;br /&gt;-Mesmo?&lt;br /&gt;-Mesmo.&lt;br /&gt;-Então está bom. Um beijo.&lt;br /&gt;-Tchau.&lt;br /&gt;-Te adoro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tutututututututu...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-115410847092961471?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/115410847092961471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=115410847092961471' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/115410847092961471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/115410847092961471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/07/enamorados.html' title='Enamorados'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-115367197850438586</id><published>2006-07-23T13:21:00.000-03:00</published><updated>2006-07-23T13:26:19.036-03:00</updated><title type='text'>Reação</title><content type='html'>Rude ríspida&lt;br /&gt;A mão ataca em&lt;br /&gt;Repelão ansiando que venha a rusga.&lt;br /&gt;Pobre mão! Reage insensata&lt;br /&gt;Retida em memória do sentir insidioso&lt;br /&gt;Rememorando os corpos resfolegantes.&lt;br /&gt;Mesmo só querendo remir o carinho&lt;br /&gt;Distante perdido reconfortante&lt;br /&gt;Reage em erro&lt;br /&gt;Afasta o que almeja receber&lt;br /&gt;Repelindo seu desejo radioso.&lt;br /&gt;Criança arredia!&lt;br /&gt;Recusa renitente&lt;br /&gt;Mas a todo o momento recorda&lt;br /&gt;Quando a mão foi regozijo&lt;br /&gt;Reiterando seu ardor relampejante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-115367197850438586?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/115367197850438586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=115367197850438586' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/115367197850438586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/115367197850438586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/07/reao.html' title='Reação'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-115032102914649953</id><published>2006-06-14T18:35:00.000-03:00</published><updated>2006-06-14T18:37:09.610-03:00</updated><title type='text'>O corpo sobreposto, por Bruno Alvaro</title><content type='html'>Eu o vi abrir a braguilha, não com curiosidade ou vontade de ver. Tirando a pele branca, não apressadamente, com certo afinco de fazê-lo o mais normal o possível. Vi então sua alma sombria e seu sorriso louco: foi então que eu tive certeza que não era a primeira vez que ele fazia aquilo.&lt;br /&gt; Eu ali desprevenida, sem proteção e desgarrada naquele ponto da cidade que eu conhecia bem e sabia não ser um dos melhores para se estar. Lembro-me bem de cada detalhe que, volta e meia, tento apagar da minha vista. Mas é muito difícil de se desfazer de uma pintura deste tipo: pregada na sua parede mais vista por você mesma. &lt;br /&gt; Eu ouvia carros passarem, as buzinas, as vozes das pessoas. Mas do nada, não ouvia mais nada, do simples nada, eu só conseguia ouvir as batidas do meu coração, guardado entre os meus seios, que naquele momento, já estavam marcados por dentadas. E eu podia sentir algo quente escorrendo do meu seio esquerdo, eu sei que não era sua saliva, pois o que antecedia ao calor era um ardido muito incomodo: meu mamilo esquerdo estava sangrando.&lt;br /&gt; Parei de ouvir até a batida do meu coração, só podia ouvir agora o seu respirar forte, muito forte. Lembro-me bem dele rasgando meu vestido azul de verão, pois era verão, mas eu suava mais que num verão normal, jogando-me de frente a uma parede, onde, eu lembro bem, estava escrito: “Gentileza gera gentileza” e “Só Jesus expulsa o demônio das pessoas”. Até cheguei a sorrir neste momento, não sorri por satisfação ou prazer, mas da vida a gente não tira nenhuma lição, eu acho. Ele suspirando, suspirando, suspirando, suspirando, me dizendo coisas, coisas, coisas, como um eco eterno em minha vida.&lt;br /&gt; A sensação eu ainda lembro, a dor ainda reside, mas eu não sei explicar, eu não posso explicar. E de pensar que eu ouvia os carros passarem, as buzinas, as vozes das pessoas...  &lt;br /&gt;Ele conjugava várias vezes o verbo arrombar. Repetidas vezes. Primeiro no futuro, depois no presente e depois de alguns minutos eternos, no passado. Não vou me ater a tentar definir melhor esses três tempos verbais, pois em apenas um ele me violentou.&lt;br /&gt;Ninguém sabe ao certo a dor de alguém se sobrepor a você forçadamente. Lamber-te como uma coisa a ser lambida. Machucar-te severamente a alma, pois alma, sim, a alma também sangra. E o corte na alma não cicatriza nunca, nunca mais.&lt;br /&gt;Mas eu ainda pensava, não amaldiçoava, pensava. E eu queria uma forma de livrar-me daquilo e mesmo sangrando, descobrir um mundo cego.&lt;br /&gt;Pois o mundo de homem é cego. E depois de gozar e gozar sobre pressão, homem fica mais cego. O bruto arrastou-me a cara na parede enquanto violentava-me. Enquanto “gentileza gera gentileza” coloria-se com meu sangue, eu vi, no mesmo lado esquerdo do meu mamilo cortado, outro pau. Outro pau que também poderia sangrar uma alma, extinguir uma vida, talvez a minha, não sei. Expulsar um demônio escondido ou, quem sabe, despertar outro, até então tão contido Mas se é das cinzas que se nasce de novo e de novo e de novo, é com pau que se faz mais fácil quebrar ovos. Que monstro imbecil, pensar que poderia, simplesmente, gozar e gozar e gozar e gozar e gozar.&lt;br /&gt;Como, eu não sei, pois da vida, eu não trago lições, nem carrego demais da conta, eu acho. Eu não fiquei lá, mas ele sim. E se foi bom para ele acabou por tornar-se melhor para mim. Só sei que homem depois que cai daquele jeito não levanta mais. E eu conjugava e conjuguei várias vezes, várias vezes, várias vezes o verbo matar. E enquanto conjugava seu sangue espirrava, molhava-me, limpava-me, banhava-me. Pois eu já nem tinha mais sangue meu, nem sentia mais o ardido no seio, na vagina, na alma...&lt;br /&gt;E eu batia, batia, batia, batia, batia, batia, batia. E eu sorria, sorria, sorria, sorria, sorria, sorria, sorria. Não parei até ver ou não ver mais nada dele, nem da outra frase que estava escrita na parede das docas: “Só Jesus expulsa o demônio das pessoas”.&lt;br /&gt;E de pensar que: “gentileza gera gentileza”. Só sei que nunca mais informei as horas para ninguém...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-115032102914649953?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/115032102914649953/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=115032102914649953' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/115032102914649953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/115032102914649953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/06/o-corpo-sobreposto-por-bruno-alvaro.html' title='O corpo sobreposto, por Bruno Alvaro'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-114867844419683877</id><published>2006-05-26T18:19:00.000-03:00</published><updated>2006-05-26T18:20:44.206-03:00</updated><title type='text'>Mãos sujas de terra</title><content type='html'>Aquilo definitivamente não acontecia sempre. Assim que chegou no ponto, o ônibus chegou. Subiu e teve ainda que procurar o dinheiro para pagar a passagem. Acomodou-se em um banco junto à janela, e o sono chegou logo. Mas um barulho incomodava: a borracha que sustenta o vidro estava gasta, e este ficava trepidando. A solução foi simples. Uma folha de propaganda recebida na rua, vendendo meninas por dez reais, foi dobrada algumas vezes e preencheu o espaço entre a borracha e o vidro. Tudo pronto. Os braços abraçados à bolsa. Dormiu.&lt;br /&gt; Acordou sobressaltado. Não conhecia o lugar por onde passava: dormiu demais. Levantou-se rapidamente e deu o sinal para descer na próxima parada. Saltou logo do carro. Quando percebeu onde estava, arrependeu-se por ter cedido ao momento de desespero. Estava em uma rua pouco movimentada e completamente desconhecida. Devia ter esperado passar por algum lugar conhecido para descer, ou mesmo, ir até o ponto final e retornar. Não havia mais volta. Já estava ali mesmo. Observando o local percebeu um bar ainda aberto, mesmo sendo tão tarde. Uma solução. Perguntaria ao balconista onde estava e onde poderia pegar um táxi. O bar estava vazio, então foi logo até o balcão.&lt;br /&gt; -Por favor, poderia me dizer...&lt;br /&gt; -Estou aqui – disse a mão que de repente segurava seu braço.&lt;br /&gt; Olhou para o lado. De onde surgiu aquele homem? Desvencilhou-se da mão. Era um pouco mais baixo que ele, e mais velho, e mais gordo. Pela roupa e aparência não devia ser um marginal. Um mal entendido. Tratou logo de resolvê-lo:&lt;br /&gt; -Desculpe senhor, mas eu...&lt;br /&gt; -Tudo certo agora, senhor André. Meu carro está estacionado aqui em frente.&lt;br /&gt; Sabia seu nome? A sensação de mal entendido evoluiu para receio.&lt;br /&gt; -Carro? Como sabem quem sou eu? Não o...&lt;br /&gt; -Me acompanhe senhor, tudo já está arranjado.&lt;br /&gt; Sentia-se curioso agora. De onde surgiu aquele homem? Não lhe parecia estranho, mesmo com toda aquela confusão. Receio, curiosidade. Risco. A curiosidade falou mais alto.&lt;br /&gt; -Certo. Vamos então. &lt;br /&gt; Acompanhou o homem até o carro. O senhor ia abrir a porta de trás, mas ele apressou-se em sentar no banco do carona. O carro partiu. André não observava o caminho, fitava o misterioso senhor o tempo todo. Aparentemente ele não mostrava-se constrangido com aquela observação insistente. Continuava o ritmo freqüente: girar o volante, pisar nos pedais, manipular o câmbio. A mão gorda possuía um anel no dedo médio. Não dava para afirmar se era casado. Uma pista mínima de quem poderia ser. Arriscou:&lt;br /&gt; -É chato trabalhar tão tarde?&lt;br /&gt; -Nunca encarei isso como um trabalho.&lt;br /&gt; -Certo – o que poderia ser então? Não era simplesmente um motorista? Perguntar para onde o levava despertaria suspeitas. Tinha de ser sutil.&lt;br /&gt; -Qual caminho vai pegar?&lt;br /&gt; -Tem preferência por algum? – respostas com perguntas são terríveis.&lt;br /&gt; -Não.&lt;br /&gt; A única solução era esperar. Mesmo porque, assim tão escuro, não percebia por onde passavam. Ficar observando o homem dirigir também não revelava muito.&lt;br /&gt; -Posso chamá-lo pelo nome?&lt;br /&gt; -Sim. Só João, por favor – uma informação.&lt;br /&gt; -Bem João, chegaremos logo, não é?&lt;br /&gt; -Na verdade já chegamos.&lt;br /&gt; João desceu do carro e abriu a porta para André. Desconfiado, desceu e viu que encontravam-se em uma espécie de jardim. Não imaginava onde poderiam estar.&lt;br /&gt; -Vamos logo.&lt;br /&gt; André ficou boquiaberto quando aquele homem começou a despir-se na sua frente. Um pervertido! Havia caído no golpe de um velho maníaco. Reparou logo que João não possuía nenhuma pistola, revólver ou faca. Rapidamente, pensou em correr para o carro e fugir. A visão daquele corpo antigo, com barriga proeminente e pelos brancos causava-lhe repulsa. Virou-se e foi em direção ao carro.&lt;br /&gt; -Comece logo. Dispa-se!&lt;br /&gt; Gelou. Ficou com muito medo de olhar para trás. Em pânico, tirou toda a roupa. Virou-se constrangido com a mão tampando o sexo. Mas o medo passou logo que viu o velho sentado no chão, cavando a terra. Ficou intrigado. Não havia arma alguma.&lt;br /&gt; -Cave também!&lt;br /&gt; Sentou-se e começou a cavar a terra também. Inexplicavelmente não conseguia desobedecer àquela ordem. A voz de João tornou-se tão imperiosa que não podia ser ignorada. André olhava fixamente para a terra, não arriscando olhar para aquele velho estranho. Passou algum tempo revirando a terra. Certa hora ousou levantar a cabeça. Aquele homem gordo havia cavado um buraco enorme naquele pouco tempo. Levantou e deitou-se ali dentro. Começou a cobrir-se de terra. Estava enterrando-se vivo. Quando só o rosto continuava descoberto falou:&lt;br /&gt; -Tem sorte de poder retornar tão jovem.&lt;br /&gt; E afundou a cabeça na terra. André não acreditava no que via. Estava ali, nu, presenciando um suicídio. Ficou ali, estático, observando a terra revolvida onde jazia o velho. Um desespero acometeu de repente o seu peito, e correu para salvar João. Não era perversão, mas desequilíbrio, desgosto talvez. Respeito. Compreensão. Angústia. Cavou desesperado. Cavou. Cavou. Cavou. E nada. O corpo do velho não estava mais ali. Havia desaparecido, como se tivesse tornado parte da terra, misturando-se a ela. Sumiu. André respirou firme e sentou ao lado do buraco que cavou na expectativa de salvar João. Enfiou os dedos na terra e recomeçou a cavar, resignado. Cavar sua própria cova. Não havia opção. Já havia ido longe demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-114867844419683877?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/114867844419683877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=114867844419683877' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114867844419683877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114867844419683877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/05/mos-sujas-de-terra.html' title='Mãos sujas de terra'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-114834239997420918</id><published>2006-05-22T20:57:00.000-03:00</published><updated>2006-05-22T20:59:59.983-03:00</updated><title type='text'>O sorriso de Domingos, por Francisco Cota</title><content type='html'>Domingos veio de Minas. Camisa furada de deputado estadual e calça jeans com os fundilhos costurados. No Rio de Janeiro, o pedreiro travestiu-se de auxiliar de escritório. Em vez de virar laje, ele agora orgulhosamente anota recados, tira fotocópias, entrega documentos e enfrenta filas de bancos. Sim, Domingos também é boy. Certo dia, foi ao Barra Shopping entregar papéis pardo e teve o dia mais feliz de sua vida.&lt;br /&gt; Nunca tinha entrado em um shopping antes e percebeu que na porta não havia maçanetas. Até que uma menina passou por ele e as portas se abriram sem abracadabra. Ele foi no embalo e se deparou com um clima de montanha que o fez lembrar da sua terra. Foi perambulando pelos corredores à procura das lojas onde deveria entregar os envelopes. Duas adolescentes passam por ele. A da esquerda bem magrinha, estilo modelinho, com uma bundinha pequena mas um com andar lascivo e provocante. A da direita no estilo cavala, peito estufado explodindo no acintoso decote. Depois de trazer seu pescoço à posição de origem, Domingos procura controlar-se pensando na namoradinha que deixou em sua cidade natal, com seus poucos dentes na boca, os cabelos desgrenhados e o vestido de viscose estampado. &lt;br /&gt; Depois de dez minutos vagando sem norte, finalmente ele encontra um balcão de informações, onde uma atendente de cabelos presos e nuca descoberta, metida em um uniforme que valorizava a cintura fina e o quadril largo o informa o caminho até a primeira loja. Quando enfim conseguiu desviar os olhos e parar de imaginar um beijo na boca da atendente, Domingos agradeceu e seguiu até a escada rolante mais próxima. Antes de tomar coragem de embarcar na aventura de subir sem fazer esforço, Domingos aprecia um par de coxas debaixo de um palmo de saia deslizando escada abaixo. No andar superior, uma alta loira de olhos azuis beija adolescentemente um velho repleto de ouro por todo o corpo. Domingos deixa escapar um “minha nossa senhora”. &lt;br /&gt; Olhando as vitrines em busca da loja desejada, ele vê alguns tênis que valem três meses de seu salário. Vê televisores que medem três vezes o seu. Vê mulheres com rabos três vezes maiores que os de sua menina. Calças justas. Cintura baixa. Piercings nos umbiguinhos de fora. Coladinhas. Os sexos estufados, convidativos, suculentos. Diferentes cores, sabores, texturas, tudo ao alcance do olhar e longe do pênis. Todas parecem tão safadas, ousadas e ao mesmo tempo tão frias, indiferentes. Seus olhares passam longe, como se atravessassem Domingos. &lt;br /&gt; Quando finalmente chega à primeira loja, a atendente desfila seu vestidinho de pano leve e vem em sua direção com o sorriso aberto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi gato, posso te ajudar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Com o pau duro, Domingos diz que precisava apenas entregar alguns documentos à dona. Com a cara fechada, a moça aponta o balcão. Domingos entrega o papel pardo e corre para o banheiro. Ele precisa externar sua excitação, dor e desespero. Chegando ao banheiro, o caipira observa entrar na porta do banheiro feminino duas ninfetas colegiais com os uniformes propositalmente encurtados e, lá dentro, uma mulher de seus trinta e poucos anos ajeita o sutiã e observa o decote. Outra, de seus vinte e cinco aninhos, vira de costas para olhar a bunda no espelho. Ali mesmo Domingos começa a masturbar-se. Um segurança o avista e repreende o matuto. Envergonhado, ele sai correndo pelos corredores. Continua vendo mulheres sensacionais. Loirinhas, ruivinhas, moreninhas, poucas negras, o que ele lamenta. Nenhuma olha para ele. Todas encerradas em seu mundo próprio. Domingos passa em uma loja e vê mais de trinta televisores sintonizados em um show de Axé. Os shorts de lycra minúsculos, as carnes trêmulas, tenras, suadas. Outro grupo de televisores tela plana passam um programa que mostra relações sexuais no mundo animal. Um leão cravando na leoa. Um elefante explodindo a aliá. Um chipanzé bufando no cangote de sua amada... &lt;br /&gt;Na cabeça de Domingos, uma palavra o atormenta, asfixia. A piroca lateja, incomoda. Vaginas ambulantes em cima de saltos caramelo não param de passar. De todos os cantos ele vê surgirem pares de peitos. Dentro de todas as lojas, vindo de todas as partes, pra qualquer lugar que ele olhe, haverá um umbiguinho de fora esperando ser lambido. Ele corre. Não é mais um homem. È um gorila vazando esperma. Sobe no corrimão de um mezanino que dá vista para a praça de alimentação no andar de baixo. Com os braços para o alto, Domingos enche os pulmões de ar e deixa a palavra que tanto o martelava fluir sangrando suas cordas vocais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- BUUUUUUUUCEEEEEEEEETAAAAAAAAAA!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá embaixo, velhas engasgam com a comida e menininhas riem. Domingos rasga sua blusa, berra e tira a calça, deixando o pau duro livre. Ele agora sai correndo, cambaleando, suando. Ele está tenso e procura sua presa. Dentro de uma loja, uma loira de vestidinho curto, coxas grossas, decote violento e brincos de argola dourados gigantescos, abaixa para pegar a blusinha de quinhentos reais que deixou cair no chão. Com os dentes semicerrados, Domingos trota em direção à fêmea e levanta o vestido o suficiente para poder arriar a calcinha vermelha até o tornozelo. A vítima tenta evitar, mas Domingos empurra para dentro seu membro e, segurando as duas mãos da mulher, penetra veloz e violentamente, a fim de gozar o mais rápido possível. Fode, fode, fode, fode. Segundos antes dos seguranças surgirem atendendo os chamados, ele urra satisfeito, colonizando o íntimo da mulher. &lt;br /&gt;Com sua bandeira cravada, ele dispara nu e sorridente. Desliza sobre o piso reluzente do shopping, exibindo seu falo flácido, saciado. Ele gargalha feliz. Berra alto. Grita. Urra. Enfim é alcançado. Os cacetetes fazem bastante estrago. Ele sorri. Os socos derramam sangue. Ele sorri. A gravata faz o mundo escurecer. Ele sorri. E fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-114834239997420918?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/114834239997420918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=114834239997420918' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114834239997420918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114834239997420918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/05/o-sorriso-de-domingos-por-francisco.html' title='O sorriso de Domingos, por Francisco Cota'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-114790778356344162</id><published>2006-05-17T20:14:00.000-03:00</published><updated>2006-05-17T20:25:30.116-03:00</updated><title type='text'>Materna</title><content type='html'>-Bom dia! – disse ela para si mesma.&lt;br /&gt; Da sacada onde estava observava as do prédio em frente. Era um prédio branco e amarelo. –Também tem tela de proteção na varanda do quarto andar – observou. Crianças, provavelmente. Ela tinha o sonho de ter filhos, não tão em segredo, como ela acreditava ser melhor. Todos os seus amigos sabiam do seu desejo e com o passar dos anos eles pareciam achar seus planos engraçados. Não que fosse muito velha, mal havia passado dos trinta. Mas o problema residia aí mesmo: mulher jovem, bonita, razoavelmente bem sucedida e muito agradável. Porque não havia concretizado esse desejo ainda? Como desejo digo ter filhos, casar não era necessariamente uma prioridade, ainda que seus relacionamentos fossem, em regra, superficiais. Talvez se um dia tivesse tentado conversar com o vizinho do prédio em frente, que sempre gastava bastante tempo observando-a da sacada, teria tomado conhecimento de que ele a achava muito bonita e estava muito interessado nela. Mas eles nunca haviam se falado, e desse jeito permaneceu até o fim, quando ela já não se lembrava de tê-lo visto um dia, mas ele ainda se lembrava dela.&lt;br /&gt; Mas esse tempo está muito à frente do que queremos contar. Naquele dia em que ela acordou tão animada, embora o céu estivesse cinzento, havia o pressentimento de que algo muito bom poderia acontecer. Ora, já dissemos que ela não tinha filhos nem amante, mas isso não quer dizer que era totalmente solitária. Havia o cão. Era muito bonito, mas não tão esperto. As orelhas caídas davam um toque especial em sua cara de bobo. Mas era um bom cão.&lt;br /&gt; Ela levou o cão para passear. Não seria um passeio tão divertido como se estivesse um belo dia de sol, mas foram assim mesmo. Passando por uma loja de animais, ela comprou-lhe um brinquedo. Provavelmente mais uma tentativa inútil. O cão definitivamente nunca entendeu a brincadeira de jogar, buscar e trazer. Sempre que ela arremessava algum brinquedo o cão o buscava, mas não trazia de volta: escondia. Não entendia ou simplesmente não achava divertido. Ainda assim, caminhando para o parque, ele tentava dar o bote na bolsa para receber seu presente, e ela se divertia suspendendo a sacola. Pararam para atravessar a rua. Nisso, percebeu do outro lado da rua uma mulher de camisola sentada em um banco com um carrinho de bebê. Era conhecida... Isso! Era a jovem que morava no apartamento do quarto andar com a tela recém-instalada. Havia tido um filho, então. Mal havia concluído esse raciocínio viu a jovem de camisola deixar o carrinho no lugar e ir embora. E como viu que ela se afastava muito e não parecia intencionada a voltar, gritou. Não houve resposta, então correu até lá. Chegando do outro lado, percebeu que a criança chorava, mas a mãe ignorava os gritos de ambos. Tomou a criança no colo e se deu conta da ausência do cão. Ele ficou para trás. Atropelado. Morto. Com o brinquedo na boca.&lt;br /&gt;Ela agarrou forte a criança e correu. Muito. Pensando no porque da jovem mãe rejeitar o que era seu maior sonho. Porque seu único companheiro morreu assim, de modo tão estúpido, esquecido. Porque ela sequer voltou para ver seu corpo. Porque ela nunca devolveu a criança.&lt;br /&gt;Mudou-se dali, e como ninguém percebeu seu delito, o menino jamais soube que foi roubado de sua mãe verdadeira. Mais tarde soube que a jovem sofria de depressão. Não se importou: jamais considerou o fato como um roubo, mas como uma troca justa. Afinal, para ela o mais relevante era o fato da jovem ter abando nado o menino, e seu cão ter morrido quando foi ajudar. O que não era mentira, ainda que a jovem tivesse seus motivos. Mas não diremos que o ambiente onde o menino cresceu não era saudável. Ganhou até mesmo um pai, poucos anos depois. Quando ela já percebia que estar com alguém não precisa ter relação alguma com o amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-114790778356344162?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/114790778356344162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=114790778356344162' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114790778356344162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114790778356344162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/05/materna.html' title='Materna'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-114739051362448587</id><published>2006-05-11T20:29:00.000-03:00</published><updated>2006-05-11T21:31:51.686-03:00</updated><title type='text'>Instantâneo ausente</title><content type='html'>&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 248px; HEIGHT: 152px; TEXT-ALIGN: center" height="174" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6557/2735/320/fotos%20Rafa%20mimi%20098.jpg" width="274" border="0" /&gt; &lt;ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;Quando vejo a foto, aquele momento torna-se bem tangível em minha mente. Não posso dizer que me lembro dele como se fosse ontem. Não. Sei muito bem quantas badaladas o relógio da minha vida já deu. Meus momentos posteriores nunca somem de minha lembrança, e não me sinto como se fosse jovem novamente. Mesmo por que quando observo aquela mão estendida ali, tão casual, não consigo deixar de comparar com a minha: deformada pelo tempo. As rugas estão aqui, os ossos aparentes. Talvez se tivesse uma mão mais gorda as rugas estariam escondidas pelo tecido adiposo. Mas mantenho o mesmo peso daquela época, com a única mudança de que a gordura era mais bem distribuída. Alguns lugares estão secos, outros aumentaram, revelando um corpo não mais agradável de ser visto. As mãos estão aqui, os dedos compridos, finos, as veias que saltam mesmo com pouco conteúdo, as unhas quebradiças. Talvez um pouco de gordura disfarçasse isso. Mas para minha memória tal disfarce seria inútil. Lembro de tudo. Não me vejo jovem novamente, mas lembro da última vez que me vi assim, mesmo não conseguindo precisar que idade era. Olhando para a foto lembro daquele momento. Da foto que ia tirar dos amigos, todos reunidos. Então, o incidente. Um brincalhão esbarrou em mim na hora do clic. Os amigos sumiram. Era a última pose. Hoje certamente preferia estar vendo a foto deles. Apontaria um ou outro que morreu, aquele que teve um casamento infeliz, divórcio, aquela que continua linda, a outra que engordou muito. Isso me traria tristezas e risos. Ver a face deles traria saudades. Meus amigos gravados em instantâneo sumiram para sempre. Só vejo aquela mão. A mão da menina que estava com a mão sobre a mureta. Nunca soube seu nome. Estava lá, naquela festa de confraternização. Mas não era minha convidada, nem de meus amigos mais próximos. Não sei quem a convidou, lembro vagamente do seu rosto que vi poucas vezes. A foto ficou guardada muito tempo no álbum. As fotos dos amigos lentamente foram sumindo. Residiram na cortiça emoldurada no escritório improvisado no quarto de uma empregada que nunca tive. Foram emprestadas para cópia e nunca retornaram. Sumiram nos porta-retratos castigadas pela luz. Até que no álbum só restou a mão. Nunca saiu do álbum porque não tinha importância: filme e papel fotográfico gastos à toa. Centavos desperdiçados. Hoje ela jaz sozinha e me traz tantas lembranças. Mas acima de tudo traz um grande incômodo. Aquele imprevisto que deixou uma marca tão forte para mim, que mesmo tantos anos depois esbofeteia o meu rosto. Um momento de imprecisão, falha, descontrole. Descontrole, falha, imprecisão não causados por mim. Não gerados por mim. Longe do meu alcance e nas minhas mãos. E que acima de tudo me traz um grande incômodo.&lt;br /&gt;Incomoda-me ver a mão velha tocando a mão jovem, sem rugas.&lt;br /&gt;Incomoda-me a ausência dos amigos, substituídos por aquele apêndice indesejado.&lt;br /&gt;Incomoda-me o conto dos meus anos diante dela.&lt;br /&gt;Tudo é tão incômodo.&lt;br /&gt;Tudo é tão terrivelmente incômodo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-114739051362448587?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/114739051362448587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=114739051362448587' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114739051362448587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114739051362448587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/05/instantneo-ausente.html' title='Instantâneo ausente'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-114692290801826328</id><published>2006-05-06T10:34:00.000-03:00</published><updated>2006-05-06T10:59:58.486-03:00</updated><title type='text'>Portas fechadas, por Victor Monte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Arrumava suas trouxas. Era seu último dia e a saudade havia lhe desgastado durante o tempo. Agora aquele era seu lugar. Quinze anos se passaram e os muros e grades eram a paisagem mais comum. Não podia acreditar que voltaria pra rua, um novo mundo se abria à sua frente.&lt;br /&gt;Olhava agora pelas grades e via o que o esperava: carros passando, pessoas andando, correndo. Lá fora não parecia mais tranqüilo que aqui dentro. Lembrava de sua infância. Das brincadeiras, uma em especial: gostava de fazer trilhas de pães e aprisionar rolinhas na gaiola. Se perguntava se não foi o mesmo que acontecera com ele.&lt;br /&gt;Era agora interrompido por uma voz:&lt;br /&gt;- Vamos, Vamos! - Era o carcereiro lhe chamando.&lt;br /&gt;Os amigos se despediam com lágrimas nos olhos:&lt;br /&gt;- Adeus irmão! - Falava Rodrigo, seu companheiro mais chegado.&lt;br /&gt;Agora não restava mais tempo para despedidas. As pernas pesavam e tremiam. Caminhava pesado. Olhava para trás como quem havia perdido algo. Talvez o tempo, talvez a vida. Uma porta se abria atrás da outra. A cada passo, mais próximo da liberdade se encontrava. Não sabia se a queria.&lt;br /&gt;Ao chegar no portão principal, a imagem da rua foi impactante. A vontade era voltar, mas sabia que não podia. Escorregou, mas com ajuda do carcereiro se manteve em pé.&lt;br /&gt;O portão se abrira e agora finalmente se encontrava na rua. Pensava para onde ir. Na noite anterior tinha decidido que iria procurar sua irmã. Afinal era o único parente próximo que ainda restava. Sua mãe havia morrido e seu pai não o conhecera. Ele não havia deixado filhos, porém sua irmã não fazia contato há anos e muito menos o visitava.&lt;br /&gt;Colocou as mãos dentro de uma bolsa onde se encontravam seus pertences. Remexeu de todas as maneiras e enfim achou um pedaço de papel com letra apagada onde estava escrito: “VILA DOS MARINHEIROS - Rua dos Aflitos, casa 3, fundos”. Era o endereço de sua irmã.&lt;br /&gt;Vila dos marinheiros. Era lá que havia passado boa parte de sua vida. Se perguntava como estaria o lugar depois de tanto tempo.&lt;br /&gt;Sua irmã morava em outra casa, mas o bairro era o mesmo. Se dirigiu até o ponto de ônibus e perguntou só pra ter certeza:&lt;br /&gt;- Qual o ônibus que passa em frente à Vila dos marinheiros?&lt;br /&gt;- 207. Respondia de forma gentil a senhora.&lt;br /&gt;Sua memória estava certa, o ônibus era o mesmo que havia pensado. Por um momento seus olhos se fixaram nela e se perguntou: pra onde ela iria? Será que tinha filhos? Ou será que era uma sozinha na vida assim como ele? Saiu do transe. Essa idéia o assustava. A senhora olhava de rabo de olho surpresa com sua postura. Disfarçou e passou a mão no rosto, como quem tem uma longa caminhada pela frente. Esperou. Passara dez, quinze, 20 minutos e finalmente avistava ao longe o seu ônibus.&lt;br /&gt;Já dentro do ônibus sentou na janela. O vento batendo na cara dava uma estranha sensação de liberdade, mas sentia que aquele não era seu lugar. Aquela sensação gostosa ia se definhando, o vento diminuindo. Agora o ônibus caminhava a passos de formigas.&lt;br /&gt;- Formigas! - Sussurrou. Olhava para a rua e as pessoas estavam agitadas. Não pareciam querer estar ali. Lembrara ter tido esta mesma sensação na sua última olhada pela cela da cadeia, porém agora tudo parecia mais real. As pessoas pareciam pedir ajuda, pareciam não saber aonde ir mas caminhavam rumo a algum lugar. Em segundo plano via pessoas maltrapilhas a se esconder, eram como borrões em um quadro, borrões que o artista não queria reconhecer como seu. Esse quadro queria lhe dizer alguma coisa, mas não entendia o que. Preferiu esquecer isso por um instante. Olhou pra frente e viu atrás do motorista uma toalha escrita: “Só Jesus salva”. Pensou que talvez não tivesse dado tempo para Jesus lhe salvar. Assim como num prédio que pega fogo e muitas vezes o bombeiro tem que optar entre idosos, mulheres, crianças, etc. Talvez estivesse no final dessa lista, na parte onde se lê: “excluídos”.&lt;br /&gt;De repente um estalo em sua mente. Pensou na paisagem que se emoldurava como um quadro. Surgia em sua mente a palavra TRABALHO. Todos trabalhavam. O motorista do ônibus, o guarda, os vendedores ambulantes. Até os mendigos, borrões que a sociedade criava mas não se responsabilizava, em busca da sobrevivência diária. Mas pensava: se todos trabalham, se todos produzem (não conseguia identificar o que), se todos têm sua importância, por que alguns tinham muito e outros tão pouco? E por que os que não trabalhavam tinham mais do que os que trabalhavam? Sua cabeça embolava. Não conseguia responder a todas as perguntas. Essas mesmas perguntas já haviam o acometido em outros tempos, mas naquela época vinham acompanhadas de uma grande angústia. De uma dor.&lt;br /&gt;Uma pistola era seu instrumento de trabalho. Cansara daquela vida miserável de boy: esporro, esporro, cobrança, anda pra lá, anda pra cá e no final do mês uma merreca. Não era isso que ele merecia. Não era isso que sua mãe merecia. A TV lhe mostrava um mundo de sonhos. A arma era sua varinha mágica pra entrar nessa fantasia. Mas a carruagem virou abóbora.&lt;br /&gt;- Merda! Porque ele reagiu ao assalto? - Se arrependia de ter matado aquele rapaz.&lt;br /&gt;-Era só entregar o carro! - Continuava a pensar em voz alta.&lt;br /&gt;Lembrou que não estava mais na prisão e se sentiu aliviado por não haver ninguém do seu lado ouvindo suas palavras.&lt;br /&gt;Enfim se deu conta do porquê de estar ali naquele ônibus. Chegou perto do motorista, olhou para trás e viu que estava perto do seu destino. Sentou no banco da frente e ficou à espera. Passados cinco minutos, chegou a hora de saltar.&lt;br /&gt;A paisagem não era das mais bonitas, aliás, nunca fora. Vila dos Marinheiros era uma comunidade pobre, o que habitualmente se chama de favela. Andava em busca do endereço anotado no papel. Percorria becos e vielas. Tudo parecia tão igual ao que era quando deixara sua casa algemado. Ouvira uma vez dizer que tudo melhorava com o tempo. Quem havia dito isso pra ele? Tentava recordar-se. Precisava dizer a essa pessoa que talvez o tempo não passasse em alguns lugares. Os rostos eram os mesmos. Tristes, sem rumo, sem perspectiva. As crianças brincavam, as valas negras se expunham e os vermes proliferavam. A esperança tinha ido embora como quem esperava o tempo passar, mas ele não passava.&lt;br /&gt;Uma voz interrompeu sua caminhada:&lt;br /&gt;- Xavier, Xavier!&lt;br /&gt;Se voltou para a pessoa que lhe chamava e olhou fixamente em seus olhos. Se esforçava pra reconhecer quem era.&lt;br /&gt;- Não está me reconhecendo, menino?&lt;br /&gt;Agora conseguia lembrar. Era o Sr. João, um antigo vizinho e grande amigo da família. Recordava-se de uma vez ainda criança quando quebrara o braço e o mesmo Sr. João, com sua Kombi, o levara para o hospital. Não esquecia esses pequenos gestos de afeto. Talvez a falta de um pai fizesse reconhecer em pequenas atitudes como essa a figura paterna que se ausentara. Mas naquele momento teve dificuldades de reconhecer Sr. João.&lt;br /&gt;- Como vai, Sr. João? - O cumprimentou timidamente.&lt;br /&gt;- O bom filho a casa torna! - Exclamava Sr. João como quem quisesse não tocar no assunto da prisão.&lt;br /&gt;Xavier não perdeu tempo e foi logo perguntando sobre sua irmã. Até porque não havia muitos assuntos a tratar com ele e sua timidez no momento não permitia que se aventurasse puxando alguns desses assuntos triviais como: E a família? Tem feito muito calor?&lt;br /&gt;Depois que Sr. João explicou onde ficava a casa da sua irmã, prometeu passar em sua casa para botar o papo em dia, promessas essas que nunca se cumprem.&lt;br /&gt;Foi por entre as vielas. Todos os rostos lhe pareciam estranhos, mas observá-los o distraía. Estranhava o fato do endereço passado por seu João ser diferente do que estava escrito no papel, mas confiou na sua palavra. Enfim chegara ao beco 13, uma casa verde com portão cinza sem número. Exatamente como Sr. João lhe explicara. Sim, essa devia ser a casa de sua irmã. Procurou a campainha, mas não achou. Começou a bater palmas e logo apareceu um cachorro que começou a latir. Logo a porta se abriu, imediatamente sua irmã o reconheceu. Abriu a porta correndo e lhe deu um forte abraço. Chorava um pouco de alegria e um pouco por culpa. Queria explicar sua longa ausência, falava rápido até um pouco embolada, estava muita ansiosa. Dizia que há cinco anos atrás fora morar na cidade do seu marido, comendador Gomes, uma cidade que ficava localizada no triangulo mineiro. Havia ido pois existia a perspectiva de seu marido ganhar mais trabalhando na fundição de um tio. Porém cinco anos depois a fundição falira e agora eles haviam voltado a menos de um mês. Explicou que assim que partiu enviara uma carta explicando toda a situação e mesmo tendo chegado lá, as continuava enviando. As cartas, contudo, sempre voltavam. Xavier a tranqüilizou e explicou que havia sido transferido de presídio por essa época. Estava cumprindo a pena em uma colônia agrícola para presos de bom comportamento. Apesar de Xavier não demonstrar nenhum tipo de rancor ou tristeza devido à ausência de sua irmã. Ela continuava se explicando. Falava da dificuldade que era para viajar para visitá-lo e não parava o seu falatório. Só parou quando seu marido a interrompeu para dar um efusivo abraço em seu cunhado. Logo em seguida apareceu seu sobrinho que também o cumprimentou, de forma acanhada, pois não tinha tido muito contato com seu tio.&lt;br /&gt;Entraram na casa.&lt;br /&gt;Xavier se aconchegou no sofá e todos se reuniram em torno deles para conversar. Entretanto não demorou muito para descobrir que sua presença trazia alegria, mas essa alegria custava caro. Seu cunhado estava desempregado, afinal tinha voltado a pouco tempo de Minas. Sua irmã sustentava a casa trabalhando como empregada doméstica e vendendo salgadinhos. Entendera também o motivo da mudança de endereço. A antiga casa havia sido alugada na saída pra Minas e o inquilino ainda se encontrava morando lá.&lt;br /&gt;Depois da longa conversa, todos foram dormir. Xavier demorava a pegar no sono. Pela fresta da janela via o céu de um ângulo que há muito não via. As grades não eram mais obstáculos. Sabia que podia abrir a janela e botar a cabeça pra fora. Sabia que podia abrir a porta e andar sem rumo. Essa liberdade o assustava e olhando para o céu, fixando seus olhos nas estrelas, pensava no seu futuro. Pensava que o amanhã seria diferente e não mais tão previsível. Entorpecido por esses pensamentos, finalmente dormiu.&lt;br /&gt;De manhã, com o céu ainda escuro, acordou assustado. Não estava mais na cadeia. Olhou para o lado e seu cunhado estava tomando café.&lt;br /&gt;-Bom dia! - Disse Xavier como quem paga um tributo por ter sido tão bem recebido.&lt;br /&gt;Perguntou a Zito, seu cunhado, o que lhe fazia sair da cama tão cedo. Zito respondeu que iria sair para procurar emprego. Ouvindo isso, se ofereceu a ir junto. Oferta prontamente aceita por Zito, uma companhia era sempre bem-vinda e era importante que Xavier se habilitasse o mais rápido possível a procurar um emprego, afinal se a jornada não era fácil para ele, seria ainda mais para um ex-presidiário. Xavier tomou banho e em seguida tomou o café. Os dois se despediram da sua irmã Clarice. Seu sobrinho Valter continuava dormindo. Botaram o pé na rua e o céu permanecia escuro.&lt;br /&gt;Assim começou o dia e ao passar pelos locais aonde procuravam emprego em cada fila em cada espera uma história de vida diferente, todos tinham algo a reclamar, todos tinham problemas, todos sofriam de alguma forma. Ouvir estas histórias amenizava a sua dor pelo tempo perdido.&lt;br /&gt;Depois de ter preenchido vários formulários, conversado com várias pessoas diferentes, o céu escurecia de novo, o dia estava acabando.&lt;br /&gt;Chegava em casa exausto e assim foram os dias subseqüentes. Passado um mês, Zito o abandonara na sua caminhada, havia arrumado emprego de manobrista em um shopping.&lt;br /&gt;Sua procura ainda se estendera por três meses, até que enfim arrumara um emprego de caixa de supermercado. E assim foram se passando os restos dos seus dias. Oito horas de trabalho, quatro de hora extra, de segunda a sábado. Chegava em casa sem força para nada. Casa, trabalho, trabalho, casa. Sua vida não tinha perspectiva de mudança.&lt;br /&gt;Foi então que em dia desses, sentado no Caixa, lá pelo final da tarde, sua mente divagou sobre esses pensamentos. Tudo aquilo lhe parecia familiar, sentia um sentimento de nostalgia, como quem já havia vivido aquilo. Agora tudo fazia sentido: ainda estava em uma prisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-114692290801826328?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/114692290801826328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=114692290801826328' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114692290801826328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114692290801826328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/05/portas-fechadas-por-victor-monte.html' title='Portas fechadas, por Victor Monte'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-114678106459018706</id><published>2006-05-04T19:13:00.000-03:00</published><updated>2006-05-04T19:17:44.596-03:00</updated><title type='text'>Duas solidões</title><content type='html'>Aquela lágrima que cai&lt;br /&gt;com angústia serena&lt;br /&gt;por você não eu&lt;br /&gt;solitária sozinha&lt;br /&gt;só&lt;br /&gt;não traz a mim você&lt;br /&gt;conforto tranqüilidade.&lt;br /&gt;Desconstrói dissabor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É minha.&lt;br /&gt;Ímpar&lt;br /&gt;como nós.&lt;br /&gt;Sem par&lt;br /&gt;distante calada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra lágrima que cai&lt;br /&gt;com desespero abrupta&lt;br /&gt;por você não eu&lt;br /&gt;solitária sozinha&lt;br /&gt;só&lt;br /&gt;não traz a você mim&lt;br /&gt;aceitação compreensão.&lt;br /&gt;Desconstrói desapego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sua.&lt;br /&gt;Ímpar&lt;br /&gt;como nós.&lt;br /&gt;Desencontrou seu par&lt;br /&gt;distante calada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda lágrima que cai&lt;br /&gt;com angústia serena abrupta&lt;br /&gt;por você eu nós&lt;br /&gt;solitária sozinha&lt;br /&gt;só&lt;br /&gt;traz a mim você&lt;br /&gt;unidade distante.&lt;br /&gt;Desconstrói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nossa.&lt;br /&gt;Ímpar&lt;br /&gt;como o todo.&lt;br /&gt;Sem par&lt;br /&gt;do começo ao fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-114678106459018706?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/114678106459018706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=114678106459018706' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114678106459018706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114678106459018706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/05/duas-solides.html' title='Duas solidões'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-114649514751353537</id><published>2006-05-01T11:44:00.000-03:00</published><updated>2006-05-01T11:52:27.523-03:00</updated><title type='text'>mais um momento</title><content type='html'>Bang!&lt;br /&gt;-Sabe, acho que sou uma pessoa ruim.&lt;br /&gt;-Hein? Acho que você já bebeu demais. Já foram cinco garrafas.&lt;br /&gt;-Não. Eu só bebi dois copos. Parei de beber ainda na primeira garrafa.&lt;br /&gt;-Nem percebi.&lt;br /&gt;-Acontece sempre comigo.&lt;br /&gt;-Olha, pare com isso. Que história é essa de ser ruim?&lt;br /&gt;-Acho que sou.&lt;br /&gt;-Isso é bobagem. Maniqueísmo besta. Não existe isso de bem e mal.&lt;br /&gt;-Existe o que então?&lt;br /&gt;-Existem nuances, muitas cores.&lt;br /&gt;-Um arco-íris?&lt;br /&gt;-Hahahaha!&lt;br /&gt;-Hahahaha!&lt;br /&gt;-E se te disser que algumas vezes me incomodo com o sucesso dos outros?&lt;br /&gt;-Sei lá, pode acontecer. Tem gente que consegue tudo e não merece, então...&lt;br /&gt;-Com o seu sucesso?&lt;br /&gt;-Hã... Cara, eu sei que você é um grande amigo, e tem passado por momentos difíceis. Relaxa.&lt;br /&gt;-Eu não gosto de algumas coisas que penso, mesmo sem querer. Não sei o que é, mas existe alguma coisa que faz de mim uma pessoa ruim.&lt;br /&gt;-Já pensou em sair mais vezes? A gente só tem 25.&lt;br /&gt;-Sinto um desprezo muito grande por pessoas que não fizeram nada.&lt;br /&gt;-Tipo não combinou com o anjo da guarda do outro?&lt;br /&gt;-Desprezo justamente porque não fizeram nada. Porque são nada. Mas ao mesmo tempo me desespero com medo de ser um nada também.&lt;br /&gt;-Nossa. Vamos a um pagode na sexta? Tem muitas meninas bonitas.&lt;br /&gt;-E como sou ruim, acho que vou me tornar um nada. O que me revolta, porque eu não sei o que faz de mim uma pessoa ruim.&lt;br /&gt;-Você está ouvindo o que eu digo?&lt;br /&gt;-Um dia desses vi um desenho animado na TV onde...&lt;br /&gt;-Japonês?&lt;br /&gt;-É.&lt;br /&gt;-Não gosto de ficar assistindo essas bobagens, você devia...&lt;br /&gt;-Escuta.&lt;br /&gt;-Está certo, diga.&lt;br /&gt;-O personagem principal era um menino que sofria muito. Uma espécie de deusa deu a ele a oportunidade de acabar com as pessoas que o faziam sofrer e viver tranqüilamente em um mundo só dele.&lt;br /&gt;-E?&lt;br /&gt;-Ele preferiu deixar as coisas como estavam.&lt;br /&gt;-Legal! Ele descobriu que gostava das pessoas.&lt;br /&gt;-Não. Ele preferiu o sofrimento real a uma paz falsa.&lt;br /&gt;-Ah, ele gostava de sofrer.&lt;br /&gt;-Acha isso?&lt;br /&gt;-É, ele teve a opção de parar de sofrer, não teve?&lt;br /&gt;-Acredita que alguém goste de sofrer?&lt;br /&gt;-Tem pessoas que gostam... Os masoquistas.&lt;br /&gt;-Acredita mesmo?&lt;br /&gt;-Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, vamos para com essa conversa! Não estamos em um desenho japonês. Japonês?&lt;br /&gt;-É.&lt;br /&gt;-Então. Estamos em um bar, vida real.&lt;br /&gt;-Não temos deusas aqui.&lt;br /&gt;-Isso, meu amigo.&lt;br /&gt;-Mas existem outros caminhos.&lt;br /&gt;-Como?&lt;br /&gt;-Voltado um pouco para cima, bem no centro, para não correr o risco de sair pela bochecha. Eu acho...&lt;br /&gt;-Não entendi mais nada.&lt;br /&gt;-Falo do cano.&lt;br /&gt;-Cano? Qual o problema? Uma goteira em cima de você? Bem, espero que a marquise não desabe em nossas cabeças.&lt;br /&gt;-Vou ao banheiro.&lt;br /&gt;-Não demore, esse papo estranho me deu vontade de ir para casa. Vou pedir a conta.&lt;br /&gt;-Tudo certo. Não vou demorar mais que o necessário.&lt;br /&gt;-Endoidou de vez. Hehehehe... Vai fazer xixi de mochila?&lt;br /&gt;-Um beijo.&lt;br /&gt;-Hein?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-114649514751353537?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/114649514751353537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=114649514751353537' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114649514751353537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114649514751353537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/05/mais-um-momento.html' title='mais um momento'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-114600418562134025</id><published>2006-04-25T19:27:00.000-03:00</published><updated>2006-05-11T22:02:45.410-03:00</updated><title type='text'>Do alto daquela torre</title><content type='html'>Ninguém sabe quem mandou erguer aquela torre com aquela aparência tão inóspita. Se foi o rei, ou seu pai, ou seu avô, ou quantas gerações atrás. O que importa é que houve o dia em que uma pessoa encontrou naquele lugar sua casa. Mas não. Não sabemos se aquilo era uma casa, uma clausura, uma prisão, ou todas essas coisas juntas. Não sabemos ao certo. Mas a princesa morava ali, isso sabemos. Mas se fazia isso por imposição ou vontade própria também não sabemos... Paremos então de dizer o que não sabemos antes que essa história acabe se tornando um grande caminho de dúvidas, pois algumas coisas aconteceram naquele lugar, e essa é a parte que nos interessa e acreditamos merecer serem contadas.&lt;br /&gt;Aquela princesa não era exatamente o modelo de princesa que muitas fábulas contam: não era a mulher mais bonita daquele reino. Ainda que, justiça seja feita, possuísse certa beleza sim, não era conhecida por isso. E não poderia mesmo. Até porque foram poucos aqueles que a viram, e em menor número ainda eram aqueles que tiveram a oportunidade de contar o que viram. Seu pai, o rei, certamente foi um desses últimos. Sua mãe não. Morreu ainda no parto, sem ver seu rosto. Sua madrasta, que não era má, não tinha permissão para vê-la. Mas os poucos que a viram revelaram que ela tinha uma semelhança com uma princesa de outro conto: possuía tranças enormes, mas de cabelos castanhos.&lt;br /&gt;Acontece que os anos se passaram, e o rei um dia viu-se preocupado com a solidão da filha. Passava os dias só, sem muito que fazer. Seu maior passatempo era um tanto peculiar. É claro que, preocupado com a instrução da filha, o rei mandou deixar ali muitos livros. Cada um teve sua devida dose de interesse, que não durava muito. Mas um em especial lhe rendeu bons frutos. Era um livro de ciências ocultas, bruxaria, feitiçaria, ou como quiser que se chame. Um encantamento lhe despertou especial interesse: conseguiu dotar um espelho com a faculdade de mostrar cenas do mundo exterior. Porém, como a princesa era apenas uma iniciada naquelas artes, o espelho emitia imagens um tanto distorcidas, que destoavam um pouco da realidade. Uma imagem falseada da realidade parecia-lhe muito mais interessante que a realidade, assim como achava os romances mais interessantes que os livros de história, mesmo havendo quem diga que são a mesma coisa. Enfim, esse era seu maior passatempo, mas para seu pai não era o suficiente. Já havia passado da idade em que as meninas da corte habitualmente se casavam, então resolveu conversar com ela.&lt;br /&gt;-Filha, não desejas conhecer alguém para passares o resto de tua vida?&lt;br /&gt;-Meu pai, eu aceito conhecer uma pessoa do mundo, mas não aceito imposições. Manda-me um homem então, para que conviva aqui comigo. Se aceitá-lo, casar-me-ei com ele. E não digo mais nada para ti que não seja um sim de aceitação do compromisso.&lt;br /&gt;O pai então saiu feliz, pois acreditava estar solucionado o problema. Chamou o filho mais velho do duque de um reino próximo, e ele aceitou estar com a moça. Quando chegou lá, o filho do duque tentou logo se mostrar muito cortês, fazendo uma reverência em que quase tocou o chão. A jovem princesa deu de ombros e não se interessou muito por isso. Como vivia sozinha, não se importava muito com aquelas formalidades. Nos dois primeiros dias, não lhe dirigiu a palavra. Depois desse tempo mostrou-se mais receptiva. O jovem nobre começou a achar a princesa muito agradável. Passavam muito tempo assistindo juntos ao espelho. Mas com o passar dos dias, não entendia porque começou a sentir-se incomodado com as palavras dela. Sentia-se sufocado, como se dos lábios dela saísse vagarosamente alguma substância que o tornava incapaz de respirar. Um dia, inexplicavelmente para ela, ele teve um impulso e jogou-se pala janela da torre. E despencou lá embaixo, completamente morto. Tinha a aparência de um morto por afogamento. A jovem não entendeu exatamente o que havia se passado, logo agora que se afeiçoava ao rapaz e estava próxima de declarar o seu sim. O rei entendeu menos ainda, e precisou de toda a sua habilidade diplomática para não deixar o incidente tornar-se uma guerra. Resolveu então que o próximo candidato (sim, deveria existir um segundo rapaz) não deveria ser da nobreza, para evitar que novos acidentes ocorressem.&lt;br /&gt;O segundo rapaz era um membro da corte, mas de menor importância. Tudo ocorreu como da outra vez, à exceção de que ela demorou três dias para dizer-lhe a primeira palavra, talvez ainda traumatizada com o evento anterior. Passados esses dias, entenderam-se muito bem, assistiam ao espelho. Curiosamente, esse rapaz também foi acometido do mesmo surto estranho do anterior e jogou-se pela janela, morrendo também com os olhos esbugalhados e a boca aberta, como um náufrago. Como a menina mostrou-se muito triste e pediu ao pai que trouxesse outro rapaz, o rei decidiu trazer o terceiro. O quarto já foi por questão de honra. E o quinto, e o sexto. Quando, por volta do décimo quarto rapaz, pressentia que, se continuasse naquele passo, em breve não haveria mais corte, o rei decidiu recrutar os rapazes entre a plebe. E passaram por ali tantos rapazes que até perdemos a conta de quantos foram. Todos se jogavam pela janela e morriam com cara de afogados.&lt;br /&gt;Até que veio aquele rapaz. Nada de especial. Apenas como não era muito atlético, não conseguiu correr dos guardas recrutadores como faziam muitos jovens. É claro que já imaginam que a essa altura a princesa era conhecida como viúva negra (mesmo sendo uma viúva que nunca se casou) e outros nomes pejorativos. Pelo mesmo motivo que foi pego, não foi capaz de reagir quando jogaram-no no quarto da princesa. Esse rapaz teve sorte, pois ela falou com ele logo no primeiro dia, ainda que não tenha sido um privilégio exclusivo seu. Como de costume ela gostou bastante dele, e ele dela. Conversavam e assistiam o espelho. Ele não gostava muito das cenas do espelho, mas gostava de suas conversas. Mas logo veio a sensação de mal estar causada pelas palavras da jovem. Aquele rapaz, franzino e de semblante tão pacato, foi o primeiro a ter uma reação inesperada: em um arroubo de loucura ergueu o espelho no ar e bateu com ele violentamente na cabeça da jovem princesa enquanto ela falava. A jovem caiu desacordada, o espelho em cacos. Mas a sensação diminuiu muito pouco, ele já estava contaminado demais. Mas foi o suficiente para que, antes de se jogar pela janela, o rapaz percebesse as tranças da princesa esparramadas pelo chão. Jogou-as então pela janela, intencionado a descer por elas como na história que ouviu quando criança. No entanto, assim que começou a descer pelas tranças, não ousando olhar para baixo, percebeu que elas não iam muito além de dois palmos abaixo da janela. Ele riu e pensou alto:&lt;br /&gt;-Esta é a diferença da realidade para o que vemos em um espelho.&lt;br /&gt;E soltou as mãos.&lt;br /&gt;Feito isso, seus pés atingiram o chão em menos de um segundo, e estranhou ser tão rápido, e que a morte fosse tão parecida com a vida. Olhando para o que acreditava ser o chão, viu que estava pisando em uma pilha de cadáveres que ia até a base da torre e que poderia ser facilmente descida. Assim o fez, lamentando a sorte daqueles tantos rapazes que, entretanto, tornaram-se a sua própria sorte. Olhando para cima viu a princesa na janela, com o rosto tingido de vermelho, que pareciam daquela distância lágrimas sinistras. Comovido com sua aparência triste, gritou:&lt;br /&gt;-Vem!&lt;br /&gt;Mesmo sem saber se ela podia ouví-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-114600418562134025?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/114600418562134025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=114600418562134025' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114600418562134025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114600418562134025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/04/do-alto-daquela-torre.html' title='Do alto daquela torre'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-114554211855128793</id><published>2006-04-20T11:03:00.000-03:00</published><updated>2006-04-20T12:01:20.453-03:00</updated><title type='text'>(re)adAPTAção</title><content type='html'>Ela era uma pessoa normal. Uma pessoa normal que pagava a TV a cabo e não tinha plano de saúde, como todas as outras. Tinha uma casa e um emprego que lhe bastava para pagar as contas. Tinha apenas um problema. Mas não. Seu problema não era dificuldades na vida sentimental, apesar de todas as histórias de pessoas bonitas e bem sucedidas tratarem de seus problemas sentimentais. Na verdade poucas vezes ela era vista sozinha. Namorados não eram seu problema. E não digo somente em quantidade. Todos eram muito bons para ela e amavam-na bastante. Bem, falamos de um problema, certo? Exagero certamente. Não era exatamente um problema. Uma particularidade seria mais bem dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu a conheci, e eu não sei quanto tempo fazia que tudo tinha começado. Era uma mulher bonita, e não deixou de ser nem no final, que usava roupas de grifes famosas, bolsas combinando com os sapatos impecavelmente, cabelos rigorosamente alinhados pela escova feita diariamente, não ia sequer à esquina comprar pão a pé, mas sempre de carro. Para definir em uma palavra, era o que se chama comumente por “patricinha”. Só percebi a mudança quando terminou o seu relacionamento. Não passou muito tempo e começou a se envolver com um homem muito culto. Logo começou a ler Nietszche, Foucault e outros autores que as pessoas adoram citar para mostrarem-se inteligentes. Ela quer impressioná-lo – pensei. Já é tempo de dizer que ela se chamava Amanda, e ele a chamava de Danda, apelido que eu achava terrível, mas não era da minha conta. O relacionamento não durou muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo em seguida veio o outro. Com ele vi as coisas modificarem-se mais. Começou a curtir músicas novas, como as que ele ouvia. Ela passou a freqüentar lugares diferentes. Seu cabelo mudou de cor, começou a usar munhequeiras no lugar do relógio caro, tênis All Star no lugar do scarpin, camisetas estilosas e calças mais descontraídas. Transformou-se no que podemos chamar de “alternativa”. O rapaz aparentemente compartilhava da minha falta de apreço pelo apelido Danda, e passou a chamá-la de Dinha. O novo apelido não era tão melhor assim, como em geral não são nenhum desses diminutivos de nome, mas mais uma vez não era da minha conta. Esse relacionamento durou bastante tempo. Percebi que os livros do Foucault e do Nietzsche nunca mais foram lidos. Inclusive ouvi dela certa vez que eram muito chatos, mas tempos atrás lhe eram muito interessantes. Achei engraçado como ela se adaptava tanto a cada um dos seus relacionamentos. Engraçado porque seria burrice criticar um ser humano por ser adaptável, afinal é o que nos faz o que somos e não vou entrar aqui no mérito de se o que somos é bom ou ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O namorado seguinte resultou em uma mudança mais radical que a anterior. Transformou-se praticamente em uma hippie: fumava maconha, tornou-se vegetariana, amava a natureza. Saiu de sua casa no Catete e foi morar em uma república instalada em um casarão em Santa Tereza. Dinha tornou-se passado, era chamada de Bina agora. Esse foi o momento quando percebi que mais do que roupas e gostos, ela modificava-se ainda mais profundamente. Comecei a perceber que sua própria personalidade mudava também. Mas nesse momento ainda estava cercada por pessoas que eu considerava legais, portanto essas mudanças não me atingiam muito. Na verdade isso aconteceu com o homem que veio depois, um empresário de muitos recursos. É claro que ela enfim deixou de freqüentar os lugares que eu freqüentava, então a partir daí comecei a vê-la muito menos. E quando tornei a vê-la foi um certo choque, o nariz arredondado havia se tornado pontudo e empinado. Seu nariz nunca havia sido grande, mas agora era tão fino que realmente chamava muita atenção. E o mais importante, quando tentei dar um abraço para matar a saudade fui recebido com certo desdém. Fiquei chateado, mas compreendo que quando as pessoas se afastam muito fisicamente, acabam tornando-se estranhas à vida afetiva dos outros, mesmo tendo tido uma relação anterior da mais intensa amizade. Ah, e agora chamavam-na por Babi. Foi aí que tive pela primeira vez a dificuldade de lembrar do seu nome verdadeiro. E a partir daí ela começou a ter dificuldades para lembrar de qualquer um dos nomes que eu pudesse ter. Conheci ainda a Fifi, a Fefa, a Lê, a Leca, a Teca. A Tiça curiosamente lembrou-se mim, apesar de eu não conseguir reconhecê-la. Isso porque depois de todo esse tempo além do nariz, a boca, a testa, os seios, o maxilar e mais alguma coisa que não consegui detectar já haviam sido reparados pelo bisturi. Não preciso dizer sobre os cabelos, porque eles já mudavam desde tempos que nem me recordo mais. Certo dia desses um amigo em comum contou-me que ela declarou-se lésbica, e namorou duas meninas. Não quis saber por qual nome ela atendia agora. Isso realmente me confundia. Na verdade algumas vezes eu pensei tê-la visto na rua, mas não tive coragem de tentar conversar com ela. Não tinha mesmo muita certeza de que era ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana passada, quando já fazia então muitos anos que não a via, estava vendo algumas fotos antigas. Ela estava presente nas minhas fotos até ser Bina, ou Babi, algo parecido. Era como se eu estivesse com uma pessoa diferente em cada uma delas. Quanto a mim, se passasse as fotos rapidamente, ia formar-se uma animação grotesca, cabelos sumindo e rugas brotando exatamente onde se podia esperar que aparecessem. Toda minha vida pareceu-me uma novela muito previsível, como todas são. Mas a novela da vida da Dinha, ou Fefa, parecia um filme de vanguarda, cheio de cortes inesperados. Mas eu não a invejo, pois sei que um dia ela se cansará das mudanças, se é que já não se cansou, e buscará um lugar onde se agarrar para permanecer ali até o fim. Isso acontece mais cedo ou mais tarde, mas com uma diferença fundamental: ela talvez não se lembre mais o que é quando resolver fazer a roda parar de girar. Eu talvez possa nunca ter descoberto o que sou ou poderia ser. Qual opção é mais vantajosa? Certamente não sei. Afinal, alguém pode voltar para ver a diferença?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-114554211855128793?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/114554211855128793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=114554211855128793' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114554211855128793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114554211855128793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/04/readaptao.html' title='(re)adAPTAção'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-114521880770971139</id><published>2006-04-16T17:02:00.000-03:00</published><updated>2006-05-11T22:20:02.563-03:00</updated><title type='text'>Velha rotina</title><content type='html'>O dia realmente havia começado da forma mais ordinária possível. O relógio despertou três vezes. Ele resmungou bastante enquanto se levantava. Foi ao banheiro, lavou o rosto, urinou. Tomou uma xícara de café e comeu uma fatia de queijo branco. Vestiu-se com pressa depois do banho e saiu. Voltou para verificar se havia fechado as janelas da sala. Foi caminhando pela rua até a estação do metrô cantarolando. Cantava baixinho, é claro, e durante os intervalos entre cada trago. I got no style. I’ll take my time. A fumaça era suave e o sabor do tabaco tostado era doce. Dentro do metrô leu algum livro banal - tinha resolvido que era inútil estudar ali, pois não conseguia fazer anotações. As pessoas esbarrando o incomodavam. Apenas mais um dia comum, como foram todos os anteriores e como os futuros também haveriam de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não. Não vamos revelar agora que naquele dia aconteceu algum evento extraordinário. Pelo menos não enquanto caminhou até o trabalho ou durante as horas que passou lá, sentado e atento, em sua atividade enfadonha – e todas elas causam enfado, por mais interessantes que pareçam ser, se são obrigatórias. Também não aconteceu nada durante o almoço, quando seus colegas demonstravam o habitual falso interesse pelas suas conversas. E ele revirava um ou outro legume que achava ruim, e colocava no cantinho do prato. Nem mesmo durante sua volta para casa aconteceu nada. Ele somente voltou para lá. Fez o caminho mais longo, para pegar um ônibus. Não voltava de metrô, que ficava muito cheio naquele horário. Passou em frente a uma banca de jornal onde viu algumas revistas. É certo que ele não fazia isso todo dia, mas, considerando a freqüência, já caracterizava uma rotina, ou uma rotina alternativa. Saltou dois pontos antes de sua casa para fumar mais um cigarro enquanto caminhava. E isso ele fazia sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dormiu. Viu televisão e ouviu música antes, é verdade. A warming trend, a gentle friend. A man must build a fortress to defend.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas vidas estão destinadas a isso: são ordinárias. E serão. Mas então qual o sentido de contar o dia tão tedioso desse homem? Uma mensagem de pessimismo? Moralismo? Não. E nem uma lição também. A vida dele era só isso mesmo. Ponto. Não há moral nessa história. Só uma única peculiaridade. Ou talvez curiosidade seria mais apropriado? Enfim, o fato é que uma única vez ele não compareceu ao trabalho: ligou dizendo estar doente. Todos acreditaram, é claro! Porque ele mentiria? No dia seguinte ele compareceu normalmente, saudável. Aquele foi o único dia de sua vida quando os outros ali não podiam ter certeza exata do que ele havia realmente feito. Bobagem? Talvez. Mas mesmo algumas bobagens às vezes assustam um pouco. Mas o estranhamento logo se desfez enquanto o encontravam dia após dia. E aquele dia foi até esquecido, talvez até por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que ele se aposentou e pouco tempo depois veio a falecer. E eles haviam feito uma bonita festa de despedida e seu enterro teve algumas bonitas coroas de flores, com dizeres bonitos também. Pois é assim que terminam todas as histórias dos homens. Tenham eles tido vidas fantásticas ou ordinárias. E não há nada de novo nisso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-114521880770971139?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/114521880770971139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=114521880770971139' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114521880770971139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114521880770971139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/04/velha-rotina.html' title='Velha rotina'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-26136165.post-114506632231795679</id><published>2006-04-14T22:49:00.000-03:00</published><updated>2006-04-20T11:43:53.013-03:00</updated><title type='text'>Início...</title><content type='html'>Minha proposta inicial para o Contos Afins era de um fanzine literário impresso. Como meus fanzines sempre privilegiaram as HQs, queria me atrever a entrar em uma área nova. Mas produzir um fanzine demanda um tempo que não possuo e um custo elevado (xerox, postagem, etc.). Para que a idéia não morresse, decidi transformar o Contos Afins em um zine virtual. Como trata-se basicamente de textos, o blog torna-se uma ferramente eficiente.&lt;br /&gt;Aproveito para convidá-los a enviar seus textos para publicá-los aqui, caso desejarem.&lt;br /&gt;E começa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/26136165-114506632231795679?l=contosafins.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contosafins.blogspot.com/feeds/114506632231795679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=26136165&amp;postID=114506632231795679' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114506632231795679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/26136165/posts/default/114506632231795679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contosafins.blogspot.com/2006/04/incio.html' title='Início...'/><author><name>Rafael Paes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17076479891038992911</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
